Foto: Assessoria/Arquivo 0e5e8f39 7bab 4882 8abc f2c2d3e8d4b8 Deputada Thaise Guedes

Que beleza: pelo menos 13 deputados estaduais - um deles já indiciados e com nome divulgado: Thaise Guedes (PMDB) - são suspeitos de participação em um esquema que resultou no desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas entre os anos de 2010 e 2013! Claro, os parlamentares merecem todo o direito a se defenderem. 

É o que está posto em uma matéria do CadaMinuto e tenho alguns comentários. 

Logo, diante dessa notícia preciso tocar em alguns pontos:

De acordo com a superintendência da Polícia Federal de Alagoas, Guedes pode ser responsabilizada pelo desvio de R$ 220 mil pagos a “servidores fantasmas”. Mais uma vez o termo “fantasmas” e “Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas” aparecem no mesmo contexto de denúncia. 

Já apareceram quando tivemos a “lista de ouro” que foi denunciada pelo deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), que na época era parlamentar estadual; e em um passado mais distante: a Operação Taturana, quando se tinha a Folha 108. Por isso, em vários momentos, ao comentar sobre a recém auditoria feita na folha da Casa de Tavares Bastos afirmei que era importante auditar os comissionados também. 

Um outro ponto é que - em diversos textos no passado - chamei atenção para a importância dos deputados estaduais publicarem em Diário Oficial (e a Casa poderia ter feito isso), os comissionados por gabinetes. Apenas os parlamentares Galba Novaes (PMDB), Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PSDB) fizeram isso. 

E eis que agora, a Polícia Federal constata que uma das servidores lotadas no gabinete de Thaise Guedes teria recebido R$ 140 mil de salário em três meses. Exatamente isso: R$ 40 mil em três meses. Assusta o fato da Polícia Federal colocar - e isto precisa de destaque - que não é um caso único, pois há 12 outros deputados estaduais que estão na mira. Que as investigações sejam céleres para que tenhamos rapidamente conhecimento de quem são os demais deputados estaduais. 

Guedes vai responder pelo crime de peculato e há suspeitas até de uso do programa Bolsa Família. 

Se você acha que não tem ligações entre esses pontos, é só observar que os fantasmas dessa Casa Assombrada que virou o Legislativo sempre estiveram em xeque nas mais recentes investigações envolvendo o parlamento estadual, mas nunca se teve a preocupação necessária - por parte de todas as Mesas Diretoras - de sanar a questão. No máximo, o parlamento responde com uma auditoria na folha dos ativos, que possuía sim problemas, como vimos. No entanto, nunca foi a grande preocupação. 

A lista de ouro, a Folha 108, o pagamento de mimos e outros pontos denunciados pela Operação Taturana e outras investigações nunca tiveram como foco os efetivos, apesar de problemas ali também existirem e alguns por questões administrativas e por ausência de transparência. O problema mais grave - nesse caso - é a suspeita de enxerto na folha de pagamento. 

Muito longe da “arte” que sempre foi posta em investigação: a possibilidade do escoamento de dinheiro fácil de dentro dos gabinetes. Mais uma vez essa questão aparece, que agora tenha início, meio e fim. Quem for inocente, seja inocentado. Quem for podre, que se quebre. 

Que toda a carga não seja sobre Thaise Guedes quando se fala na possibilidade de mais gente envolvida...e claro, se ela tiver culpa no cartório, que pague, mas que tenha o direito à defesa. 

Estou no twitter: @lulavilar