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O Portal Cada Minuto trará nos próximos dias uma série de entrevistas com os políticos que pretendem disputar a presidência do país. As entrevistas ocorrem em uma parceria entre o CadaMinuto e o Política Real de Brasília, com participação do jornalista Genésio Batista.

O primeiro a ser entrevistado foi o senador Álvaro Dias (Podemos), que é visto por 9 em cada 10 analistas políticos como um presidenciável que poderá surpreender nas eleições de 2018. Dias falou a pedido do Política Real e ao Cada Minuto, de Alagoas, sobre temas marcantes que atendem ao eleitorado nordestino, como Bolsa Família e São Francisco.  Ele não quis falar de Renan Calheiros e quem seu partido irá apoiar nas eleições de Alagoas. 

 

O político da terra onde nasceu a Lava Jato, o Paraná, diz que o programa Bolsa Família tem seu apoio e deve ajudar as pessoas a saírem das dificuldades, avançarem, ele entende que o programa não pode ser populista, mas republicano.  Dias ao falar da máquina pública destaca que os bancos públicos devem ser administrados de forma profissional e que é preciso “reestatizar” as empresas públicas brasileiras que foram aparelhadas.

 

Ele não quis responder as perguntas sobre política local, política alagoana, especialmente sobre as possíveis coligações e apoios locais.  Ele disse à Política Real que no futuro irá falar sobre essas questões, mas como filiações podem ser feitas em março do ano que vem prefere aguardar.

 

Sobre o São Francisco, tão caro ao Nordeste meridional, ele é firme em defender uma recuperação do rio com amplo processo ambiental.   Ele falou sobre a questão do endividamento dos estados, que virou um “case”  no caso de Alagoas. “Não podem os estados do sul e dos sudeste receberem benefícios e os do nordeste ficarem à mingua. Novamente, ínsito, é preciso retomarmos princípios republicanos e federalistas onde a igualdade é fundamental”, disse, cheio de retórica. Ele analisou a questão da violência que atinge fortemente o Nordeste e cresceu muito na última década, especialmente atingindo jovens, pardos e negros.

 

“É um fenômeno complexo, mas podemos destacar entre suas causas a falta de uma política efetiva de incluir a juventude em atividades que a afastem da criminalidade desde cedo com programas culturais, esportivos, além de outras atividades extracurriculares; o  desprezo pelo fortalecimento do ensino e da educação integral; a concentração de renda; a falta de oportunidade de emprego para os jovens e, até mesmo, a desagregação da sociedade e das famílias”, disse.

Essa entrevista faz parte de uma séria de “conversas” que a Política Real vai realizar em parceria com os mais importantes veículos de comunicação do Nordeste. As perguntas foram feitas pelo Cada Minuto, de Alagoas, que é um dos mais importantes editados no Nordeste meridional.

 

Qual seria a sua proposta com relação ao Bolsa Família?

Álvaro Dias - O Bolsa Família na verdade surgiu da unificação de vários programas que já existiam no governo anterior ao Lula como o Bolsa Escola (idealizado pelo Senador Cristovam já no Governo do Distrito Federal em 1995), o Programa de Erradicação do Trabalho Escravo,  o auxílio gás entre outros.

Assim, é importante compreender que os programas de transferência de renda direta foram viabilizados financeiramente pela PEC de Combate à Pobreza aprovada em 2001 com o meu voto. Dessa maneira, é fundamental perceber que o Bolsa Família é a evolução de uma política de Estado e não pode ser vista como uma política de interesses partidários ou personalistas populistas. Assim, em meu governo, o objetivo é viabilizar o programa como uma forma de não só garantir renda a quem realmente precisa, e reduzir a pobreza, mas também viabilizar que seus beneficiários sejam assistidos de forma ampla pelo governo, permitindo-lhes conseguirem adquirir condições de se elevarem socialmente, qualificaram-se, ganharem confiança em si, passarem a serem atores sociais mais ativos e capazes de atingirem à autonomia e liberdade econômica. De fato, como toda política de estado republicana deve ser.

 

Sobre estrutura de Governo, haverá mudança na estrutura de ministérios? Irá reduzir?

Álavaro Dias -  É essencial que a estrutura do governo seja revista . É impossível continuar com a atual quantidade ministérios e órgãos que servem somente para alimentar o “balcão de negócios” da má política, assim como drenas os recursos que deveriam estar sendo aplicados no interesse da população, fundamentalmente segurança, saúde e educação. Há, sim, de se diminuir a pesada e cara máquina administrativa que não atende às aspirações da sociedade. É preciso “reestatizar” as estatais estratégicas que foram tomadas de assalto na última ´decada, comprometendo-as de tal forma que quase as levou a falência, como o caso da Petrobrás. Os Bancos Público federais devem ser também retomados pelo estado republicano e passarem a ter uma administração profissional, longe do aparelhamento político. Claro que devido ao número sem precedentes de estatais criadas de forma a atender interesses políticos, devemos também ter um programa de privatização de estatais que não são estratégicas e só servem para drenar os recursos públicos e empregar apaniguados políticos. Algumas empresas e órtgãos totalmente desnecessários e que não tenham interesse para a sociedade devem ser extintos. E sempre que possível estimulamos à concorrência.

 

Sobre as dívidas dos Estados do Nordeste. Qual a posição do candidato?

Álvaro Dias - As dívidas dos  Estados do Nordeste e mesmo do Brasil inteiro fazem parte da má gestão do governo federal da última década, bem como se agravaram diante do forte quadro recessivo que vivemos. Será necessário se estabelecer critérios republicanos e de federalismo fiscal a fim de que possamos vir a equacionar tal questão que acaba por paralisar completamente a gestão estadual. Ademais, não pode haver dois pesos e duas medidas no que diz relação ao tratamento do endividamento estadual. Não podem os estados do sul e dos sudeste receberem benefícios e os do nordeste ficarem à mingua. Novamente, ínsito, é preciso retomarmos princípios republicanos e federalistas onde a igualdade é fundamental.

 

Em relação a Transposição do Rio São Francisco? Qual sua posição?

A transposição é um projeto nacional de aspiração histórica de nosso país. Entretanto, a incompetência e a corrupção dos governos anteriores fizeram com que tal projeto sofresse atrasos inadmissíveis, bem como a elevação de gastos inexplicáveis. Contudo, a transposição deve vir acompanhada da revitalização do Rio São Francisco já que se este não for mantido em condições “saudáveis”, a transposição acabará por fracassar e o rio da unidade nacional perecer. Temos que investir na recuperação ambiental do Rio São Francisco para viabilizar a efetividade da transposição. Não podemos usar nossos de forma predatória.

 

Quais as principais causas das elevadas taxas de homicídios brasileiras?Por que as cidades nordestinas aparecem com índices mais elevados do que as das demais regiões?

Álvaro Dias -  A violência tornou-se uma verdadeira endemia nacional. Tornando-se uma praga que assola de forma devastadora toda a nossa sociedade, ceifando vidas, destruindo famílias e, até mesmo, prejudicando a nossa economia. É um fenômeno complexo, mas podemos destacar entre suas causas a falta de uma política efetiva de incluir a juventude em atividades que a afastem da criminalidade desde cedo com programas culturais, esportivos, além de outras atividades extracurriculares; o  desprezo pelo fortalecimento do ensino e da educação integral; a concentração de renda; a falta de oportunidade de emprego para os jovens e, até mesmo, a desagregação da sociedade e das famílias. Tudo isto deve ser atacado individualmente para podermos reduzir a violência no Brasil com políticas de estado.