Ilustração E6ece223 b5d9 4e3c 873c 32a0b5df3a9e Tavares Bastos

Acabo de ler um release sobre a 8ª Edição da Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar 2017). Acompanho o evento desde edições passadas e acho importantíssimo - mesmo quando discordo aqui e ali de algum palestrante - que festivais assim ocorram em Alagoas, sobretudo no interior do Estado. 

Todavia, esse ano, fiquei bem mais emocionado com o anúncio que nos demais. Motivo: saber que Aureliano Cândido Tavares Bastos será homenageado. Já fiz diversos textos sobre Tavares Bastos e, quem me acompanha, sabe que não é segredo que sou fã desse autor. 

Um dos textos, inclusive, foi elogiando a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas pela reedição da obra A Província. Um livro fundamental aos dias atuais, que discute o descentralismo e o federalismo da União e aponta os caminhos do desenvolvimento. Respeitando o contexto histórico em que Tavares Bastos escreveu, o livro traz lições importantíssimas. 

A visão liberal de Tavares Bastos era madura, mesmo ele sendo tão jovem. Não se trata apenas de A Província, mas também de Cartas do Solitário, dentre outros escritos que, infelizmente, sumiram das prateleiras das livrarias. Que a homenagem promovida pela Flimar sirva para que os agentes culturais desse Estado encampem um projeto de reedição de seus livros. Sirva para que suas ideias circulem nas escolas. Por sinal, seria uma ótima que o Fale, Educação promovesse uma palestra na rede estadual sobre Tavares Bastos. 

Precisamos resgatar Tavares Bastos. Não é justo que ele seja lembrado apenas como aquele que dá nome a Casa de Tavares Bastos. A escola da Prefeitura de Marechal Deodoro merece aplausos, bem como os patrocinadores que compraram a ideia.  

A outra homenagem é a Nelson da Rabeca e também é justíssima. Não quero dar a impressão que não notei isso. Claro que notei. Apenas me detenho a Tavares Bastos por acreditar que Alagoas foi injusta com um dos mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. Não digo apenas mais brilhante de Alagoas, não digo apenas mais brilhante do Brasil, digo do mundo! Sem exagero. 

A obra de Tavares Bastos pode ser colocada em pé de igualdade com os textos políticos de Thomas Paine e Edmund Burke, por exemplo, apesar das temáticas e objetos de estudo diferenciadas. Mas como os dois, Bastos tem um quê visionário capaz de enxergar o mundo adiante, dando conselhos para gerações futuras e dominando a Língua pátria de forma exemplar. Sou grato a meu pai que me apresentou a obra de Bastos e desde então, nunca larguei e passei a ler e reler em diversos momentos. 

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