Agência Câmara/Arquivo Cce96772 be1a 469c a3af edb410ba3cfd Deputado Givaldo Carimbão

“Deixar Temer no poder é exterminar os pobres... Para eles só servem os empresários que financiam campanha para eles e para a patota deles, e os pobres coitados que se explodam... Não vendo a minha consciência, não troco por cargo o meu voto”, desabafou o deputado federal Givaldo Carimbão (PHS), ao discorrer sobre as razões pelas quais votaria a favor da investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB).

O parlamentar alagoano não poupou adjetivos para criticar o pemedebista e aliados, durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ocorrida ontem, 17, na Câmara dos Deputados. O colegiado está discutindo o parecer pelo arquivamento da segunda denúncia apresentada pelo MPF contra o presidente, acusado de organização criminosa e obstrução da Justiça.

Carimbão disse que ainda tem muita coisa guardada para vir à tona, mas acusou Temer de se proteger das denúncias distribuindo cargos. “Os caras querem cargo é pra roubar, para montar esquema, podridão, não é para ajudar o governo a melhorar a qualidade de vida do povo não... Quando se discute cargo é pra dizer o seguinte: ali você tem um manto pra roubar... Essa é a grande verdade”, afirmou, em outro trecho da fala.

Lembrando que indicou nomes para a Companhia do Desenvolvimento Regional dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf)  em Alagoas durante uma década, o deputado federal disse que mais de R$ 1 bilhão passaram por suas mãos “em nível de coordenação política”, e que desafia qualquer pessoa a apresentar uma vírgula sequer que desabonasse sua conduta.

Frisando sempre que votaria mais uma vez a favor da investigação, Carimbão contou que conviveu, na Câmara dos Deputados, com todo o grupo que está sendo acusado hoje, responsável pelo “golpe político” que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT): “Queriam tomar o poder e montar uma quadrilha... Conheço muito bem o modelo e a forma de fazer política perversa, com p minúsculo...”.

Agora na segunda denúncia, a Procuradoria-Geral da República também pede autorização para que os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco também sejam investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Carimbão não integra a CCJ, mas como deputado teve direito a fala por dez minutos durante a sessão.