Foto: Assessoria Bb6eb6a4 43e0 4ca6 8876 2900c87ced66 Unimed Maceió

“Só me senti à vontade para falar com a imprensa depois de prestar depoimento à polícia”, essa foi a primeira frase de Augusta (nome fictício), dona de casa de 35 anos que foi estuprada pelo médico José Carlos Brêda Macedo, dentro do Hospital Unimed, no início do mês.

À redação do CadaMinuto, nesta quarta-feira, 18,  a dona de casa revelou que esteve esta semana prestando depoimento à delegada que está acompanhando o caso. Além dela outras quatro vítimas também já foram ouvidas e já denunciaram o caso também ao Conselho Regional de Medicina (Cremal) e lavraram Boletim de Ocorrência.

Segundo Augusta, além de outras testemunhas que devem ser ouvidas o médico José Carlos Brêda de Macedo também será convocado a comparecer à delegacia para prestar depoimento.

O caso

A dona de casa, no início do mês, procurou o atendimento médico no Hospital da Unimed devido a um mal estar que estaria sentindo ao urinar. “Antes de entrar no consultório do médico José Carlos Brêda de Macedo, uma moça saiu com uma expressão assustada, mas pensei que estaria com algo grave e nem liguei para aquilo que poderia ser um sinal”, lamentou a vítima.

José Carlos, sempre enfatizando que era patologista clínico, perguntou o que eu tinha e descrevi o caso, em seguida “ele pediu para eu tirar a parte de baixo de minha roupa para poder fazer um exame, achei estranho, porém pensei que ele faria a coleta e já enviaria ao laboratório, já que era patologista”, disse Augusta.

O médico tirou um par de luvas de uma bolsa e então “ele enfiou o dedo em minha vagina, inicialmente pensei que seria a palheta de exames, foi então que comecei a perceber o que acontecia e não acreditei que estava sendo estuprada por um médico dentro de um hospital”, desabafou a dona de casa.

“Infelizmente o medo me travou, não sabia o que fazer, quando ele perguntou: está chegando lá? e eu perguntei: lá onde?; em seguida ele encerrou o exame, mostrou a luva e a jogou no lixo, deixando claro que o procedimento não foi para colher nada”.

Augusta descreveu ainda a frieza e postura extremamente técnica do médico, que segundo ela, o tempo inteiro tem explicações médicas e científicas para cada um dos procedimentos, como se todos fossem normais. Mas é preciso que fique claro que “autorizei ele a fazer um exame em mim e não a me masturbar”, afirmou ela.

Ao concluir tudo ele receitou um medicamento e chegou a comentar que o procedimento era normal e ele já teria feito o mesmo em mais de cem pacientes, disse José Macêdo à dona de casa, recomendando que ela o procurasse em outra clínica particular para continuar o ‘tratamento’.

Outras vítimas

Até o momento quatro vítimas fizeram o registro de Boletim de Ocorrência e prestaram depoimento à polícia, outras duas mulheres estão fora de Maceió e irão também formalizar a denúncia e outras três preferem não denunciar por medo e vergonha, comentou Augusta.

“O prazer dele é tocar as pacientes, entre o grupo de vítimas dele, há relatos de mulheres que foram com problemas na garganta e ele para auscultar os pulmões ele começou pelo ventre e chegou a apalpar os seios, falando que o sutiã estaria apertado”, relatou a dona de casa.

A filha de outra das vítimas que optou por não se expor nem denunciar disse que ele ‘receitou’ se masturbar durante 30 dias e depois retornar a ele. A paciente ainda chegou a perguntar se o esposo poderia fazer e ele disse que não, que teria que ser ela sozinha.

Já uma enfermeira também foi atendida por ele e quando tentou aplicar a mesma conversa da coleta de secreções para estudo, por se tratar de uma profissional da saúde e entender do assunto, questionou o estudo e ele não concluiu o ato, ficando apenas na tentativa.

Relatos de vítimas também apontam que “José Macêdo se mantém sempre muito tranquilo e só altera a voz quando é contrariado”.

Vergonha

“Infelizmente moramos num Estado e num país machista”, disparou Augusta ao revelar que algumas pessoas chegaram a questionar o porque dela não ter reagido, impedido o estupro ou feito um escândalo.

A vítima conta que prefere não se identificar por vergonha de ser apontada pelo vizinho, amigos ou outras pessoas que não entendam o que aconteceu. “Sei que não fiz nada no dia, até porque não tinha estrutura emocional, mas agora quero justiça para mim e para as outras vítimas”, concluiu Augusta.

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