1. Mais uma vez, como ocorreu na sessão sobre retroatividade da Lei da Ficha Limpa, o STF votou rachado, agora sobre o afastamento de deputados e senadores do mandato. Por 6 a 5, os ministros decidiram que isso somente pode ocorrer com autorização da casa legislativa. O resultado parece bom ao chamado equilíbrio entre os poderes. O Judiciário anda incontrolável.

 

2. O casamento de uma atriz da Globo serviu para pensar sobre militância, ativismo e rebeldia entre artistas com milhares de seguidores e fãs. A ostentação da festa não combina com o discurso de preocupação com a pobreza e os excluídos. O marketing descobriu nas ações sociais uma das formas mais eficientes de promoção pessoal e venda de qualquer produto.

 

3. Nunca chegamos a uma Copa do Mundo nesse clima de total tranquilidade. Há até quem assegure, assustado com tantos acertos no mundo da bola, que precisamos arranjar algum problema sério. Precisamos quebrar a cabeça em busca de táticas. Mas, enquanto isso não acontece, temos de admitir que montamos um time fortíssimo, outra vez candidato natural ao título.

 

4. E você torceu contra ou a favor da Argentina? É um desses debates que inflamam as mesas redondas durante 24 horas, sem nenhuma conclusão que justifique tanta briga em torno do tema. O que dividiu parte da torcida brasileira sobre o destino da Argentina foi o ressentimento. Creio não caber dúvida quanto à relevância de vermos Messi e sua seleção na Copa.

 

5. A crise na Espanha, decorrente da causa separatista da Catalunha, deu novo ânimo a um movimento que habita o Sul do Brasil. A grande imprensa voltou a noticiar a existência de grupos que defendem a separação do país, criando uma república independente, formada pelos estados sulistas. Não tem nada de novo entre os separatistas. Só oportunismo.  

 

6. A Câmara dos Deputados deve rejeitar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. É o que todos apostam, diante de tudo o que se sabe. Li as 245 páginas da peça acusatória assinada por Rodrigo Janot. É um festival de depoimentos de delatores presos que negociam qualquer coisa em troca da liberdade. Como já se sabia, um trabalho à base de populismo jurídico.

 

7. Cinquenta anos da morte de um homem que virou mito. Não adianta alegar nenhuma verdade que possa depreciar a vida de Che Guevara – não vai colar. Ele está nas camisetas, nas paredes, na pele tatuada. O eterno símbolo da rebeldia jovem parece ocupar espaços cada vez mais amplos no imaginário contemporâneo. Uma marca adorada pela utopia consumista do capitalismo.

 

8. Por falar em separatismo, também já houve uma cantoria em defesa de um Nordeste independente. Acabou em forró, sem maior repercussão política. Dessas investidas revoltosas, não teremos problemas realmente sérios. O máximo que pode acontecer é a causa ser adotada por algum bloco partidário desesperado em busca de uma moeda de troca no jogo eleitoral.

 

9. Muita surpresa na praça com a absolvição de Mirella Granconato, nesse que é um dos casos de maior repercussão dos últimos tempos na chamada crônica policial. É por desfechos assim, em vários julgamentos, que há uma vasta literatura em defesa da extinção do Tribunal do Júri. Uma solução radical que não encontra ambiente fácil para ser concretamente debatido. 

 

10. No meio de um feriado santo, problemas com a máquina de escrever, ou seja, uma pane inesperada no computador. Por isso, uma pequena demora na atualização do blog. Mas agora, resolvido o inesperado, estamos de volta à normalidade tecnológica. Ao longo do dia, vamos pensar um pouco mais sobre novos e velhos assuntos. Afinal, as notícias não param de chegar.