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Nem a chuva e o clima de tensão entre a polícia e os civis inibiram os cidadãos da Catalunha de irem às urnas neste domingo (1º), para votar o referendo pela independência criado pelas autoridades regionais catalãs.

Porém, logo nas primeiras horas de votação na Catalunha , colégios eleitorais foram invadidos pela polícia, que retirou pessoas à força e ainda trocou tiros de borracha em embates com a população, atitude que deixou 337 civis e 11 policiais feridos, segundo os serviços locais de emergência.

Registros de imagens que mostram policiais da Guarda Civil e da Polícia Nacional destruindo portas de um colégio eleitoral que esperava o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, para votar, e civis sendo jogados ao chão pelas forças de segurança deixaram a situação ainda mais apreensiva.

A confusão se dá porque as autoridades em Madri consideram o plebiscito convocado pelo governo catalão ilegal, e diz que a Constituição declara que o país é indivisível. Porém, em outras regiões, como Barcelona, capital catalã, a votação segue sem problemas. Segundo um porta-voz do governo regional, 73% das mesas eleitorais estava funcionando por volta das 11h em horário local.

Desde cedo, quando as eleições começaram, às 9h, em horário local (4h em Brasília), centenas de pessoas já estavam acampadas dentro e fora das escolas para garantir o direito de voto. Mais de 5,3 milhões de catalães foram convocados para participar. As urnas deverão fechar às 16h locais.

Nos últimos dias, o governo espanhol enviou para a região mais de 10 mil agentes das forças de segurança, apreendeu milhões de cédulas de voto e 45 mil notificações que convocavam membros das mesas eleitorais.

Por conta da situação de insegurança, o jogo entre Barcelona e Las Palmas, marcado para a tarde deste domingo, foi adiado.

Separação

Íñigo Méndez de Vigo, porta-voz do gabinete presidencial, afirma que o referendo transgride as leis espanholas e carece de garantias democráticas, além de ser um "caos organizativo" sem censo, nem cédulas, nem urnas, nem centros oficiais de votação.

O desejo de separação por parte dos moradores da região, porém, vem de séculos atrás. Ainda hoje, os catalães mantém língua e tradições próprias, mesmo com a oposição do governo espanhol. Com 7,5 milhões de habitantes, a Catalunha responde por 20 % da riqueza do país, superior à de Portugal ou da Grécia, por exemplo.

Apesar de cerca de 70% dos catalães defenderem a realização de um referendo dentro da legalidade, estudos de opinião indicam que os independentistas não têm a maioria, mas ganhariam no referendo pois iriam votar em massa. De acordo com o jornal português Diário de Notícias, uma pesquisa realizada pelo governo regional da Catalunha em julho revelou que os partidários da independência são 41,1% e os que são contrários à separação são 49,4%.