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Apresentação

Mesmo sendo contemporâneo do filósofo marxista Antonio Gramsci, Alberto Passos Guimarães iniciou sua militância política sem conhecer os estudos do italiano sobre o papel dirigente do intelectual orgânico. Os famosos Cadernos de Gramsci somente viriam a público após a Segunda Grande Guerra Mundial.

Entretanto, foi precisamente essa a função do alagoano no Partido Comunista, logo ele que não concluíra o curso primário, sendo um escritor autodidata que desenvolveu suas potencialidades no trabalho como jornalista.

De espirito prático e sem maiores preocupações em se destacar como dirigente comunista ou como escritor e ativista cultural, Alberto Passos Guimarães foi responsável pela montagem e execução de vários projetos gráficos da sua organização política.

Durante décadas uniu as tarefas de dirigir o Partido Comunista, algo que sempre exigiu enorme carga de sacrifícios, com a elaboração de textos para a quase sempre clandestina imprensa partidária, além de contribuir para os jornais diários.

Essa atuação partidária aguerrida vai lhe custar momentos de vida clandestina e algumas prisões no período Vargas. Em 1935, o então capitão do Exército e delegado de Ordem Política e Social, Mário de Carvalho Lima, apresentou o relatório do inquérito policial, que apurou as atividades dos revolucionários em Alagoas, deixando registrado quem era Alberto Passos Guimarães:

“Batalhador incansável, com uma fidelidade ao PC quase raiando o fanatismo, percorria as fábricas e estabelecimentos de ensino aliciando operários e estudantes para as fileiras da Internacional Vermelha, a despeito da forte pressão policial em torno de suas atividades”.

Mesmo sendo reconhecido nas fileiras partidárias e entre os militantes de esquerda por sua dedicação e contribuição nos debates que redefiniram as estratégias dos comunistas brasileiros nos anos da década de 1950, somente em 1963, ao lançar o clássico Quatro séculos de latifúndios, é que passou a ser conhecido pelo grande público e elevado a uma das principais referências quando o assunto era a questão agrária brasileira.

Elogiada ou criticada, sua obra principal continua presente nos debates sobre este tema. Lamentavelmente, seu autor persiste sem os maiores reconhecimentos da academia. Talvez por ser o resultado do trabalho intelectual de um autodidata comunista.

O verbete elaborado pelo historiador e escritor Geraldo de Majella, ao destacar que Alberto Passos Guimarães teve uma vida dedicada a honrar os seus compromissos políticos, homenageia não só este intelectual esquecido por muitos, mas também coloca luz sobre um período importante da vida política alagoana.

Mais uma importante contribuição de um escritor que tem ajudado a revelar a história dos comunistas alagoanos.

Edberto Ticianeli, jornalista e editor do site História de Alagoas