Ascom ALE/Arquivo E9836595 1393 4a24 9cf5 d9b0294b46ca Plenário da ALE

Após uma longa discussão, com direito a troca de farpas e debates sobre o “sexo dos anjos”, foi adiada a votação do requerimento de autoria do deputado Bruno Toledo (PROS) convocando o secretário de Educação, Luciano Barbosa, o professor e a diretora da Escola Estadual Lucilo José Ribeiro, em São José da Tapera, para discutir a realização de um projeto sobre identidade de gênero na unidade escolar, em descumprimento ao Plano Estadual de Educação.

O requerimento foi adiado a pedido do deputado Antonio Albuquerque.

Antes do adiamento, Ricardo Nezinho (PMDB) solicitou que a convocação de Barbosa fosse substituída por um convite. O parlamentar pediu para que Toledo desconsiderasse a fala “infeliz” de Medeiros quando afirmou, durante outra discussão na Casa, que o secretário tinha conhecimento da atividade que gerou toda a polêmica.

Irritado, Medeiros cobrou respeito: “Quem deve levar em consideração o que falo sou eu. Não é ele (Nezinho) nem ninguém” e sugeriu a mudança do termo convocação para convite para os três citados. “Se vai convidar o secretário, se convida o professor e a diretora também... Se não vierem, está comprovada a má vontade em participar”.

Depois de acatar a mudança proposta por Nezinho, Toledo enfrentou mais críticas e questionamentos dos colegas.

Jó Pereira (PMDB) argumentou que a discussão que já se arrasta por algumas sessões é uma cortina de fumaça para o que verdadeiramente importa, criticou a incoerência de convocar apenas o professor e a diretora – “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco” - e pontuou que muitos dispositivos do Plano Estadual não vêm sendo cumpridos, inclusive pela própria Casa. “E vamos continuar sendo taxados da legislatura que discutiu gênero e esqueceu o resto dos problemas da educação”.

Em resposta, Toledo analisou que as atividades desenvolvidas na escola só foram aceitas como falso combate ao preconceito porque foram feitas com filhos de pessoas pobres.

Antonio Albuquerque (PTB) também discordou do tratamento diferenciado, mas disse entender que Toledo quis fazer uma concessão política para que o plenário – de maioria da base do governo – aprovasse o requerimento. Ele também destacou a importância do secretário de Educação explicar, entre outros pontos, o que a foi feito para coibir ou punir o “desvio de conduta do professor”, sob pena de incorrer em prevaricação.

Isnaldo Bulhões (PMDB) também discordou dos “dois pesos e duas medidas” e lembrou que a discussão sobre o Plano deve ser bem mais ampla do que convidar ou convocar apenas três atores envolvidos no processo: “Tem que ser muito mais gente convidada para discutir o assunto, em um quórum bem maior”.

Já Rodrigo Cunha considerou “desproporcional” chamar o professor ao plenário devido a um caso isolado e sugeriu que Toledo fosse até São José da Tapera ou ampliasse o debate na Casa.