Agência Brasil/Arquivo 4e5e2b2d 908e 4ea3 817b 822ffc0c77cc Renan Filho

O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), comemorou, nos últimos dias, o fato de Alagoas ter subido no ranking que mede a competitividade dos Estados no país. O Estado, como já havia chamado atenção para este ranking aqui no blog em anos anteriores, deixou a 24ª posição. 

É um bom dado? Claro! O governador coloca que isso é fruto das políticas fiscais adotadas pela Fazenda. Obviamente, há influência e já havia elogiado o secretário George Santoro por isso. 

Mas não é o único ponto. Quem conhece o ranking sabe que Alagoas pontuou melhor em custo de mão de obra, produtividade, qualificação de trabalhadores, potencial de mercado a ser explorado e por aí vai. Até o quesito segurança pública se faz presente e o governo fez um trabalho bom nesse setor. 

Renan Filho está correto em comemorar. Mas gostaria de chamar atenção para outro dado que trará desafios para o Estado, como já vimos na Lei Orçamentária Anual (LOA) encaminhada para a Assembleia Legislativa, mas parece que foi pouco comentado até aqui: a queda do PIB em um momento em que o país se recupera. 

Isso é ruim. Alagoas, que é extremamente dependente do governo federal, sentirá o peso disso se assim persistir para os investimentos necessários que possibilitam avanços. 

Portanto, há também um desafio para Renan Filho, justamente na reta final de seu mandato: garantir recursos para investimentos e não travar ações do governo que ele mesmo considera importante. 

Em relação ao PIB, 2017 não foi um ano bom para Alagoas. Poderia ter sido pior, caso o governo não tivesse adotado as medidas que adotou no comando da Fazenda, sob orientação de George Santoro. 

Mas, o fato é que em 2017, Alagoas teve a segunda pior queda do PIB do país, perdendo somente para o Rio de Janeiro. Isso tem reflexos. Grande parte dessa queda é devido ao corte de recursos. Tanto é assim que, sabedor desses números, o governo encaminhou, no último dia 18 de setembro, a nova peça orçamentária para o ano de 2018. Resultado: o Executivo espera gastar menos que no ano passado. Se levar em conta uma série de fatores econômicos, não é necessário ser nenhum gênio para entender que o governo terá bem mais dificuldades que se somam ao fato de ser um ano eleitoral. 

Renan Filho quer - por exemplo - construir novos hospitais. Mas dentro de uma realidade de queda de PIB que impossibilita investimentos e engessam ações, como criar uma estrutura para mantê-los? São perguntas que o governo do Estado de Alagoas terá que responder. O CadaMinuto Press traz, nessa edição, uma matéria em que mostra esses número, bem como a queda sentida no orçamento do governo do Estado de Alagoas. 

Como no passado a peça orçamentária foca nas três principais áreas: Educação, Saúde e Segurança. Porém, dos pouco mais de R$ 10 bilhões, R$ 8,5 bilhões já estão comprometidos com folha salarial, despesa corrente e encargos. A capacidade de investimento do Estado com recursos próprios é baixíssima. Paralelo a isso, há cortes orçamentários. O Brasil melhorou pouca coisa (0,5%) em relação à econômica. Mas, Alagoas piorou: queda de 1%. 

A articulação de Renan Filho também será testada dentro dessa realidade. Precisará ser uma liderança para atrair recursos. Todavia, em Brasília, seu pai - o senador Renan Calheiros (PMDB) - tem sido um ferrenho opositor de Michel Temer (PMDB), o presidente. Resta saber: isso vai influenciar e Alagoas pagará o preço de mais cortes de verbas? A resposta virá com o futuro, que dirá se o presidente será republicano ou levará em conta a oposição feita pelo senador Renan Calheiros. 
 

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