Foto: reprodução/internet C8134189 9c60 4a39 94fe 764ceea87f72 Em Alagoas, mais de 400 pessoas estão na fila de espera

Para quem espera um transplante, a esperança se torna sua principal aliada. Se toca o telefone, a (fé)licidade de pensar: "será que é agora?" toma conta do paciente que, muitas vezes, espera anos na fila para encontrar um órgão compatível. O novo órgão não será apenas trocado por aquele que já não funciona, mas traz, para o paciente, a chance de uma nova vida.

No mês de setembro, conhecido como "setembro verde", são realizadas várias ações para conscientizar a população sobre a importância e incentivo à doação de órgãos e tecidos. A reportagem do Cada Minuto conversou com duas pessoas: uma doadora e uma que está na fila de transplante.

Expectativa diária

A alagoana Samanta Figueiredo, 22 anos, nasceu com uma síndrome degenerativa progressiva, sem cura que afeta na qualidade e na vida de seus pulmões. Há 1 ano e 9 meses na fila de espera em um Hospital de São Paulo, a jovem que atualmente mora na capital paulista, contou que se mudar foi a sua única opção, já que o transplante de pulmão além de ser difícil, não é possível em Maceió. 

“Eu fazia um acompanhamento, mas os médicos já falavam que talvez eu fosse precisar de transplante. Durou cerca de um ano para eu dar entrada nos documentos e ter a minha primeira consulta no Hospital das Clínicas, aqui em São Paulo”, disse Samanta.

Estudante de letras em inglês, a jovem para fazer a transferência de cidade com sua mãe, contou com a ajuda do Tratamento Fora de Domicilio (TFD), aspecto ofertado pela Secretaria de Saúde. Agora ela é atendida por duas equipes médicas, uma de Clínicas, com o acompanhamento de remédios para seu tratamento e outra de Transplante, que coordena mensalmente todo o seu quadro físico, com reabilitações evoluções. “Foram oito meses de espera, durante várias consultas e exames, até que minha equipe médica daqui de São Paulo me avaliasse e dissesse que eu iria entrar na fila", completou.

Ainda segundo Samanta o tempo na fila de espera, torna todos os dias expectativas, onde qualquer telefonema pode ser uma grande novidade. No caso da jovem, o transplante de pulmão é o mais delicado, já que é o que mais corre risco de infecções enquanto está em intubação, ainda do fator de compatibilidade com o corpo, que torna as opções mais restritas. Para ela, a doação de órgãos, apesar do momento trágico de dor para as famílias do falecido, é uma “coisa mágica” – como ela diz, já que a cada doação você pode salvar a vida de oito pessoas em média. 

“Eu conheço gente que depois do transplante virou até atleta! Pessoas que às vezes nem um banho conseguiam tomar direito por falta de ar (antes do transplante) e que após a doação, se tornou um corredor de 100 metros medalhista de olímpiadas. É uma segunda chave que as famílias que doam nos dão”, disse Samanta, completando que infelizmente ainda falta muita informação e conscientização sobre o assunto. 

“Metade das famílias não aceitam fazer as doações, além do tempo de respostas que é crucial para a preservação dos órgãos. As pessoas precisam saber realmente como funciona, e como os médicos atuam nesses casos. Eles, e o doador, estão salvando vidas”, encerrou a jovem.

De mãe para filho

A professora Eliege Alves, 46 anos, não pensou duas vezes quando fez o teste e viu que era compatível com o filho. "Em maio deste ano, completou três anos do transplante. Doei um rim para o meu filho Bruno e não me arrependo, eu tinha medo da cirurgia, mas só queria vê-lo bem", ressaltou.

Eliege contou que o médico explicou que ela viveria bem, uma vida normal. "Hoje em dia, percebo a importância da doação e seria muito bom todo mundo doasse, ajudasse o outro. Quem doa, salva vidas", enfatizou.

A professora disse que é feliz porque sabe que salvou a vida do filho e ressaltou que faria tudo novamente caso ele precisasse.

Números baixos

O número de doações de órgãos e tecidos ainda é considerado insuficiente em Alagoas devido à rejeição de algumas famílias que, por desconhecimento, se recusam a autorizar o processo.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO) funciona no Hospital Geral do Estado (HGE) e conta com uma equipe multiprofissional, que diariamente faz uma pesquisa sobre os casos de óbitos nos hospitais de Alagoas. Quando é detectada uma vítima que teve morte encefálica, os profissionais procuram a família para verificar a possibilidade de os órgãos serem doados.

Se a resposta for positiva serão realizados no paciente três exames num intervalo de seis horas, atendendo ao Protocolo de Morte Encefálica do Conselho Federal de Medicina (CFM). Após o período determinado de espera, é iniciado o processo de retirada dos órgãos para que o transplante seja realizado.

Atualmente em Alagoas existem 407 pessoas na fila de espera por uma doação de órgãos. Em 2017, foram realizados até agora 77 transplantes, sendo 65 de córnea, dez de rim e dois de coração.

*estagiária

** com dados da Agência Alagoas