Ascom CMM/Arquivo 7e7cf18e 2998 4f85 b426 b55c1a1673a9 Plenário da Câmara

Por 15 votos a três, os vereadores derrubaram na sessão desta quinta-feira, 21, o veto do prefeito Rui Palmeira (PSDB) ao Projeto de Lei que libera a comercialização de bebidas alcoólicas em estádios de futebol em Maceió, de autoria do vereador Silvânio Barbosa (PMDB).

A decisão do plenário será informada ao prefeito, que terá um prazo de 48 horas para sancionar a lei. Passado esse período, a matéria pode ser promulgada pela presidência da Câmara Municipal de Maceió (CMM).

Antes da votação, Barbosa destacou que nunca lhe apresentaram estudos técnicos comprovando a influência da liberação da venda e consumo de bebidas alcoólicas na violência dentro dos estádios e lembrou que, na Copa do Mundo de 2014 a venda foi liberada e não houve relatos de violência.

A fala de Barbosa foi precedida por um debate inusitado, encabeçado pelo vereador Ronaldo Luz, sobre os malefícios do álcool. Ele defendeu o veto alegando sua formação cristã e o fato de, como médico, presenciar muitas situações trágicas causadas pelo consumo de bebidas alcoólicas.

 

Ronaldo Luz chegou a sugerir que Silvânio frequente uma reunião dos Alcoólicos Anônimos (AA) para conhecer o relato das pessoas atingidas pela doença e citou informações acerca da Lei Seca, associando o apoio a matéria a uma apologia ao uso do álcool.  

Em aparte, Silvânia Barbosa reagiu afirmando que o projeto não incentiva o alcoolismo, apenas defende o direito do cidadão tomar uma cerveja no estádio, como ocorre em vários outros estádios do país, do mesmo jeito que consome a bebida nos bares, boates, na orla e em outros locais: “Porque a polêmica toda só no Rei Pelé?”, questionou.

Irônico, Samir Malta também reagiu: “Querem falar como se a gente quisesse criar um local para formar cachaceiros e não é... Se coloca como se a gente tivesse criando algo que vai se acabar o mundo, criando um monstro... O que a gente está é permitindo que quem quiser assista seu jogo tomando uma cerveja”.

Também em aparte, Lobão disse que, pela lógica de Ronaldo Luz, a fabricação e a venda de bebida alcoólica não poderiam ocorrer em lugar nenhum.  “Se não der certo, a gente derruba esse negócio”, afirmou, se referindo a uma possível revogação da lei.

Fátima Santiago também se posicionou a favor do projeto de Barbosa, destacando que é a conscientização e a educação que podem combater quaisquer vícios.