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A família Martínez Valencia estava em seu apartamento no terceiro andar de um edifício na Avenida Pacífico, em Coyoacán, no sul da Cidade do México, quando o terremoto começou.

"O prédio começou a trepidar. Balançava de um lado para o outro e fazia um barulho horrível. Tudo rangia, parecia um pesadelo. Nosso primeiro impulso foi sair, mas tudo se mexia com tanta força que era praticamente impossível descer as escadas", conta Dydre Martínez.

Pedaços do teto começaram a desabar e tubulações se romperam, fazendo vazar água.

A saída do edifício se tornou ainda mais complicada quando a luz acabou. O prédio permaneceu em pé, mas irreparavelmente danificado.

O terremoto de magnitude 7,1 que sacudiu a região central do México na terça-feira, deixou pelo menos 216 mortos.

O tremor foi registrado às 13h14 no horário local (15h14 em Brasília) com epicentro nos arredores da cidade de Axochiapan, no Estado de Morelos, a 120 quilômetros da Cidade do México.

"É sorte estarmos vivos. Sabemos que muitos edifícios desabaram na Cidade do México e em outras partes do país e que há mortos", diz Dydre Martínez.

Os serviços de emergência isolaram a área.

"Estamos em choque. Nossa casa está destruída e não podemos voltar", acrescenta.

Nancy Hernández estava, por sua vez, em um centro comercial a oeste da Cidade do México.

"Tudo começou a se mexer de uma forma que eu nunca vi antes. Os carros estacionados também trepidavam. Eu não sabia para onde ir, estava com muito medo. Nem o tremor da quinta-feira, 7 de setembro, foi tão forte. Meu único alívio era que estava perto da escola dos meus dois filhos e consegui buscá-los rapidamente ", explica Hernández.

Pessoas sem rumo

Em outra área comercial, no sul da cidade, Silvia Rojas contou à BBC que todas as vidraças se quebraram.

"A praça estava muito danificada, todos os vidros quebraram. A água vazava de várias tubulações rompidas. Vimos muita gente jogada no chão e outras tentando ajudá-las, teve muito ataque de pânico".

O trânsito, que já é caótico na capital mexicana, parou de vez em várias partes da cidade.

"Fiquei parada por mais de uma hora em um trajeto que normalmente leva 10 minutos", diz Leticia Rentería.

Segundo ela, as pessoas choravam e andavam sem rumo, emocionalmente abaladas.

Houve pane nas redes telefônicas. Muita gente não conseguia se comunicar com as famílias.

'Nada te prepara'

Os moradores foram obrigados a correr para áreas seguras, já que muitos edifícios foram reduzidos a nuvens de poeira.

Jennifer Swaddle classifica a experiência como "assustadora" e "surreal".

"Nada te prepara", diz ela.

No centro da Cidade do México, Roberto Rentería disse à BBC que o barulho dos edifícios rangendo era muito impressionante.

"O alarme sísmico soou depois. Fui até a rua para ficar seguro e vi muito vidro caindo e fachadas desabando. A rua ficou cheia de poeira, como uma grande nuvem. Cheirava muito forte a gás. Onde eu estava, vários edifícios corriam o risco de desabar ", acrescentou.

'Eu podia ouvir o teto ruindo'

A jornalista Vanessa Buendia estava no banho quando o tremor começou.

"Eu estava no banho, quando ouvi meu colega de quarto gritar: Terremoto!"

"Peguei uma toalha e o que pude, e saímos".

"Percebi que não estava com o celular, então voltei para pegar porque queria ligar para os meus pais".

"Eu podia ouvir o teto ruindo".

"A parte mais assustadora era olhar para o chão, que estava literalmente se movendo para cima e para baixo", relata.

Simulação prévia

O estudante Harbin Preciado, de 14 anos, estava na escola durante o tremor. Ele disse à BBC que graças à simulação para situações de tremor realizada no mesmo dia, ele e seus colegas sabiam exatamente o que fazer.

"Havia apenas duas horas que tínhamos feito uma simulação de terremoto para marcar o aniversário do abalo de 1985. Por isso, a gente sabia que devia sair em direção a uma área segura da forma mais tranquila possível, sem correr ou empurrar. Mas vimos um transformador de luz explodir e muitos vidros quebrando. Ficamos muito assustados, muitas crianças choravam", relatou Preciado.