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É uma família pobre dessas de marré-marré deci. Mora bem distante, nessas periferias da capital Maceió,AL, nas quais as políticas públicas, não chegam.

Mesmo morando em uma grota insalubre, ele se esforça o máximo para tentar dar o mínimo de dignidade à família. Não se envolve com negócios ilícitos e educa os filhos com a perspectiva de trilharem pelos caminhos probos da honestidade.

Constrangido, conta que certa feita, em que a falta de perspectivas era avassaladora, ele, pensou em fazer algo trágico para aliviar a família da dor, da humilhação, a vergonha  de passar fome.

Como o chefe, o homem da família não suportava acompanhar o definhamento dos filhos, até podia ouvir os pequenos estômagos roncando.

O choro, sem lágrimas da mulher.

A vergonha em expor o sofrimento mexia com os brios do homem pobre e preto, mas, como nas periferias os fatos se alastram,  um dia o dono da grota chegou e botou comida na mesa da família.

E foi por isso que a gente  não morreu- fala o pai da família..

E eu só quero dizer a senhora, que continuo a ser  a pessoa honesta que sempre fui- diz o homem. Mas, que sou agradecido a quem matou a fome da minha família, isso não nego. Eu Sou!

A miséria nas terras pretas de Palmares produzindo suas mazelas. seculares e cotidianas.