Foto: Ascom/ALE/Arquivo F67d1a94 9733 4a6d 9900 5c17a4b84e6d Deputado Bruno Toledo

O deputado Bruno Toledo (PROS) anunciou durante a sessão desta quinta-feira, 14, na Assembleia Legislativa (ALE) que irá processar a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) e, em separado, o diretor de Comunicação da entidade, Lucas Soares, por calúnia e difamação.

Em entrevista que estampou a capa do jornal Tribuna Independente de hoje, o diretor classificou o parlamentar de “fascista” e “apoiador da ditadura” em resposta ao pronunciamento de ontem, onde o deputado denunciou a realização de um projeto sobre identidade de gênero na escola estadual Lucilo José Ribeiro, em São José da Tapera.

Na ocasião, Toledo cobrou o cumprimento do artigo 12 do Plano Estadual de Educação aprovado na Casa, no ponto que veda a utilização, nas escolas da rede pública e privada de Alagoas, de materiais que promovam, incentivem ou induzam comportamentos ligados à identidade de gênero.

Na sessão desta tarde, o parlamentar repercutiu também a entrevista concedida pelo responsável pelo projeto, professor Daniel Macedo, ao jornal Gazeta de Alagoas. O pesquisador relatou que vem sofrendo ameaças por meio das redes sociais e que o deputado alimentou o “discurso de ódio”.

 “Meu discurso não foi de ódio... Eu disse que se o professor descumpriu o plano de educação é passível de ser punido por isso, punição ética disciplinar... Se ele foi ameaçado por alguém, não foi por mim... Se há ameaça ao professor isso precisa ser combatido, não podemos admitir... Fica o meu repúdio caso ele tenha sofrido qualquer tipo de ameaça”, afirmou, frisando que o foco de sua fala ontem foi o descumprimento da legislação.

Crime

Já em relação à fala do dirigente do Sinteal, Toledo ironizou: “O que me espanta é uma entidade de professores não compreender o que é fascismo, não compreender que fascismo em tudo se dissocia do que defendo... Ou é burrice ou má fé. Ou os dois”, disse, listando algumas das bandeiras defendidas por ele.

“Fascismo é o oposto do que penso. É crime atribuir tal xingamento a alguém... É atitude vigarista associar alguém a crimes cometidos por esses regimes... Mas, o diretor terá a oportunidade de provar na justiça que sou fascista e defendi a ditadura”.

Toledo anunciou também que na próxima terça-feira, 19, irá protocolar um requerimento convocando o secretário de Educação do Estado, a diretora da escola Lucilo José Ribeiro e o professor responsável pelo projeto para prestarem esclarecimentos sobre o tema.

Apartes

Em apartes, os deputados Isnaldo Bulhões (PMDB), Sérgio Toledo (PSC), Léo Loureiro (PPL) e o presidente da Casa, Luiz Dantas (PMDB) se solidarizaram com o colega.

Bulhões tentou colocar panos quentes ao pedir serenidade a Toledo: “Quero crer que posição de um membro do Sinteal taxando vossa excelência de fascista não retrata o posicionamento de um sindicato de tanta importância”, disse, frisando que, ainda que tenham sido injustos os ataques sofridos pelo colega, o assunto deve ser tratado de forma pontual.

Sérgio Toledo pontuou que a falta de conhecimento acerca do Plano Estadual de Educação não justifica a atitude do professor: “Ele devia ter pedido desculpas, inclusive aos pais das crianças... Atacar vossa excelência foi infeliz demais. Todos que lhe atacaram foram infelizes, porque vossa excelência não atacou nenhum professor, nem o sindicato, apenas pediu o cumprimento da legislação”.

Loureiro ironizou que os microfones da Casa deveriam ser arrancados já que na “ditadura democrática” os parlamentares não podiam defender seus pontos de vista e Dantas pediu que Bruno Toledo não abra mão de suas prerrogativas: “Vá em frente... Vossa excelência foi agredida e cabe providências. Conte conosco".