Ascom/ALE/Arquivo 4bfe2e7d bde5 46cd 92b2 6a672b2adce4 Bruno Toledo na tribuna da ALE

A realização de um projeto sobre identidade de gênero na escola estadual Lucilo José Ribeiro, em São José da Tapera, e a fala de um candidato a vice-reitor da Uncisal criticando os deputados estaduais repercutiram na Assembleia Legislativa (ALE) na sessão desta terça-feira, 12. Os temas levados ao plenário pelo deputado Bruno Toledo (PROS) podem render duas representações, por parte da Casa, contra a escola e contra o candidato.

 

Segundo Toledo, conforme matéria publicada no começo do mês no site Gazetaweb, intitulada “Projeto discute identidade de gênero em escola do interior alagoano”, o trabalho realizado com os alunos desobedece ao Plano Estadual de Educação aprovado na Casa, especificamente no ponto que veda a utilização, nas escolas da rede pública e privada de Alagoas, de materiais que promovam, incentivem ou induzam comportamentos ligados à identidade de gênero.

 

“O pesquisador diz que os meninos usaram maquiagem e as meninas roupas masculinas para ilustrar questões ligadas à orientação sexual... Será que é assim que a gente combate o preconceito? Vestindo menina de menino e menino de menina? Esse Poder está sendo desrespeitado, é como se dissessem: o que vossas excelências legislam não vale de nada”, disse o parlamentar, cobrando uma posição da Casa e sugerindo até a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

 

Para exemplificar as consequências da omissão do legislativo, o deputado denunciou que, durante um debate entre as duas chapas que disputam, no segundo turno, a reitoria da Uncisal, um candidato a vice-reitor desrespeitou o parlamento.

 

Com um áudio em mãos, Toledo disse que, ao ser questionado sobre o que achou da presença dos deputados no processo eleitoral, o candidato disse que os deputados “estão de olho no orçamento de R$ 250 milhões da Universidade... Querem vir aqui para pegar o que é nosso, querem lotear a Uncisal”.

 

“Ele acha que essa Casa é uma cambada de deliquentes... É essa visão que vamos admitir?”, questionou, acrescentando que o candidato também questionou a “ousadia” dos deputados em tentar mudar as regras eleitorais e solicitar informações internas da Universidade.

 

Em aparte, o deputado Antonio Albuquerque (PTB) disse que, em relação ao projeto, a Casa cumpriu o seu papel de legislar e agora só pode encaminhar uma reclamação ao Poder Executivo acerca da postura do professor, solicitar explicações do secretário estadual de Educação ou provocar o Ministério Público.

 

Francisco Tenório (PMN) reforçou que, se as leis provenientes da Casa estão sendo desrespeitadas, cabe a ALE representar ao Judiciário ou ao MP.  Acerca da fala do candidato a vice-reitor, Tenório sugeriu que a Procuradoria da Casa avalie a possibilidade de providenciar uma representação contra ele em nome do legislativo.

 

Os deputados Inácio Loiola (PSB), Galba Novaes (PMDB) e Rodrigo Cunha (PSDB) também fizeram apartes ao pronunciamento de Bruno Toledo.