Foto: CadaMinuto Ec42f619 69bc 4919 8d4e 80b3c14033ca Deputado Rodrigo Cunha (PSDB/AL) foi quem conduziu a audiência

Os deputados estaduais e representantes de conselhos criticaram a falta de descentralização de unidades hospitalares que causam a superlotação e, consequentemente, a falta de insumos e correlatos para o Hospital Geral do Estado (HGE) em audiência pública realizada na manhã desta terça-feira, 12, na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE), em Maceió.

Durante a discussão, a gerente-geral do HGE, Marta Mesquita, deixou claro que a situação do hospital não é fácil, mas já é perceptível uma melhora no abastecimento da maior unidade de saúde do Estado, mas culpa as superlotações como causadora dos maiores problemas. “Nós temos 120 leitos na porta do HGE, entre pessoas, macas e corredores. Fica impossível planejar uma compra. Planejamos as compras dos insumos e correlatos sempre um ano antes e, mesmo que eu trabalhe com um percentual a mais de compras, fica difícil não ter itens desabastecidos”, disse a gerente-geral.

Marta também deixou claro sobre a falta de autonomia financeira para compra dos itens necessários, deixando a burocracia atrapalhar ainda mais no abastecimento. “Tudo que temos que comprar, temos que realizar uma licitação e repassar para a Secretaria do Estado da Saúde (Sesau) para assim então chegar ao hospital”, explicou.

O deputado Rodrigo Cunha (PSDB/AL), responsável por conduzir a sessão, mencionou a não presença de algum representante da Sesau durante o debate e criticou duramente os erros de gestão da secretaria relembrando fatos revelados na reportagem do Fantástico transmitido em rede nacional semanas atrás. ”Mesmo sendo 0,01% do orçamento, não se compra uma cortina de 29 mil reais quando uma luva custa menos de um real, principalmente num momento caótico que vivemos. Quando se faz uma escolha como essa, o modelo de gestão precisa ser refletido”, e completou: “Queremos identificar de fato onde está o problema. Se é na secretaria, se é no setor de licitações, se é com os fornecedores ou no mapeamento que é feito de forma errada”, disse o deputado.

Descentralização

A possível solução para o problema seria a descentralização e a regionalização de hospitais particulares. Pelo menos é o que a representante do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, Sylvana Medeiros Torres, acredita. Ela também reprovou o modelo de gestão da Sesau para manter unidades hospitalares no Estado. “A Sesau não tem estrutura administrativa suficiente para todas as demandas do HGE. Quanto mais vazia fica a secretaria de saúde, mais difícil fica para manter o HGE e qualquer outra unidade hospitalar do estado”, explanou. “Tivemos os 102 municípios, com a maior dificuldade, que enviar por 15 dias insumos para o HGE por falta de abastecimento”, concluiu.

O deputado Ronaldo Medeiros (PMDB/AL) endossou o comentário de Sylvana Medeiros sobre a regionalização das unidades de saúde e também acredita que a burocracia é um dos culpados pela demora na compra de medicamentos.

*Estagiário