Eccf4fe0 652b 4897 9f3c c89a6ec4e5ce

 

Totolinha Costa é uma mulher irreverente. Linda. Cheia de Personalidade. Carioca e comerciante, foi mãe aos 18 anos do seu único filho, seu bebê Lucas. Hoje ela conta para nós sua trajetória do luto a luta pela valorização da vida após o suicídio de seu rapaz.

 

“Lucas desistiu de viver no dia 30/04/16 aos 20 anos. Na verdade eu não sei o que o levou a tomar esta decisão mas eu aceitei e após a minha aceitação, de imediato eu me perdoei e fui capaz de perdoar ele também”. Afirma Totolinha.

Eu, Carla, ingenuamente a pergunto como conseguiu encontrar forças. Totolinha gargalha e diz: ”Força é uma coisa que eu não acho que tenho...A partir do momento que você encontra teu filho morto você tem duas opções: Ou você morre também ou você encara de frente.Sempre fui assim e acho que o danado do Lucas sabia bem disso e deve ter pensado: ‘minha mãe vai aguentar ’ E de fato ele estava certo”

“Quinze dias após fui para um grupo chamado GAME (GRUPO DE APOIO A MÃES E PAIS ENLUTADOS) e lá me ensinaram a viver um dia de cada vez e a vencer a dor pelo amor”.

Sobre como ela lida com isso, a mãe do Lucas afirma: “Eu acredito em reencarnação então a certeza que meu bebê vive é enorme. Em um ano e quatro meses tenho umas cartas e alguns recados que ele me mandou psicografados (através de Fernando Ben e as Cartas de Fátima, em Sepetiba - RJ) e isso me fortalece e me faz ter equilíbrio na montanha russa que tem sido a minha vida”.

Questionada sobre ajudar outras mães, responde: “Eu não sei se consigo ajudar outras mães na mesma situação que a minha. Mas gostaria muito de abraçar cada uma e dizer que sei da sua dor, do tamanho da saudade que dilacera nossas almas e falar para elas viverem um dia de cada vez e tentarem vencer a dor pelo amor.”

Ela me diz: “Carla, não esqueça de dizer que eu sou a mãe do Lucas hoje e pra todo o sempre e que nada vai tirar isso de mim e que essa separação um dia vai acabar e vamos voltar a nos zuar muito! Diga também que a morte não é nada para quem ama verdadeiramente.”

Totolinha finaliza dizendo, com toda sua alegria: “Ameeee, abrace, beije, e não tenha vergonha de dizer que ama a quem quer que seja.” E cantarola ao meu ouvido com seu largo sorriso uma música da cantora Pitty:

“Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar

Não deixe nada pra semana que vem

Porque semana que vem pode nem chegar..”

E eu, emocionada, desligo o telefonema encantada com a grandeza desta mulher que transformou seu luto em luta. Movida pelo amor, Totolinha nos ensina. E nos comove. E nos inspira.

PS: Ao final desta máteria, Totolinha me chama e diz:"Carla, juntas somos mais fortes e lembre-se de ser feliz.. só por hoje. Pois podemos escapar da morte várias vezes, mas da vida e sua grandeza, não escapamos e ela está dentro de cada uma de nós."

Precisamos falar sobre suicídio, independentemente do Setembro ser Amarelo.

Facebook: Totolinha Costa