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     Antigamente o ato de nascer se dava em ambiente familiar, onde era uma celebração feita por mulheres do convívio da parturiente, sempre comandado por uma parteira tradicional da comunidade. No ano de 1593, Dr. Eucharius Rosslin, um médico alemão publicou o primeiro manual de gestação intitulado “The Rose Garden for Pregnant Women and Midwifes” (O jardim rosa para mulheres grávidas e parteiras). Tal livro, que foi campeão de vendas durante 200 anos, dedicava-se a explicar normas e condutas que a mulher deveria adotar durante a gestação e o parto. Não obstante, seus doze capítulos se preocuparam ainda em macular a reputação das parteiras.

      Logo em seguida, os médicos criaram o primeiro instrumento obstétrico: o fórceps. Criado com o intuito de atribuir função a figura masculina especializada e acelerar o processo fisiológico, seu uso foi instituído e para que houvesse melhor desempenho do objeto, era necessário que a mulher permanecesse deitada, de pernas abertas, com um foco de luz dirigido, sendo reduzida somente a seu aparelho reprodutor.

     A partir do século 19, ficou quase que obrigatório o parto no ambiente hospitalar. O patriarcado havia vencido. Afinal, seria absurdo que uma prática milenar dirigida por mulheres pudesse continuar dando certo longe de seus olhos. A literatura fala ainda de fatos históricos que teriam contribuído para tal mudança de posição, a exemplo da curiosidade do Imperador Júlio César que exigiu que a mulher fosse deitada para que ele pudesse ver o momento do nascimento do seu herdeiro.

    O fato é que em muitos lugares ainda estamos deitadas. Súditas. Vulneráveis. Sujeitas passivas das mãos e procedimentos que determinam como iremos parir e como irão nascer.

     Com movimentos limitados, a posição deitada – além de agir contra a gravidade - coloca a mulher numa condição de submissão. Sem direito de escolha e sem o conhecimento do que está sendo feito, a mulher simplesmente se resigna e aceita.

     Muito distante do que as boas práticas preconizam, a posição em que a mulher vai parir muito fala sobre a sua assistência recebida. Profissional, respeite- a. Verticalize-a. Empodere-a!

      Moça, levante-se!