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Esse pregão era conhecido dos moradores de Maceió. Hoje, os pregoeiros ainda bradam pelas ruas dos bairros da cidade. Não compram mais garrafas, nem amolam tesouras; vendem outros produtos como peixe, feijão-verde, macaxeira. As ruas do Centro de Maceió estão com ambulantes disputando as vendas de frutas, legumes, tubérculos e produtos eletrônicos.

Quatro grandes pontos foram criados pelos prefeitos nos últimos anos. O Camelódromo, na antiga Praça da Cadeia, na Praça Deodoro, o Shopping Popular, no prédio do antigo Café Afa e do Clube Português, e outro vizinho ao antigo Ginásio de Esportes do Colégio Estadual e na Rua do Comércio, no prolongamento até a Praça dos Palmares, formou-se uma nova feira de eletrônicos e frutas.  

Nas bordas do Calçadão, nas ruas das Árvores, Boa Vista, do Macena, do Sol e do Comércio são comercializadas frutas e hortaliças, eletrônicos e relógios.

O desemprego é um dos fatores que tem gerado o aumento de ambulantes nos centros comerciais das cidades no país, e em Maceió não é diferente. A crise econômica causou o fechamento de algumas centenas de lojas e restaurantes na região central, sem falar do restante da cidade.  

A resolução do problema não se dará apenas com o emprego da Guarda Municipal, mas com uma política de geração de emprego e renda. A formalização das atividades é um caminho natural ou deveria ser. Mas terá de ser acompanhada de qualificação para inserir boa parte desse contingente de trabalhadores, homens e mulheres, no mercado de trabalho formal onde possam sobreviver com dignidade e reconstruírem suas vidas.

Mas quando a conjuntura é de crise econômica como a em que o país está mergulhado e, pior, sem perspectiva de saída no curto prazo, os pobres são os primeiros a sofrer perdendo os empregos.

O desemprego crescente, a renda encolhendo – é nesse ambiente que a informalidade passa a ser uma alternativa para milhares de famílias no polo mais dinâmico da economia estadual.

A preservação dos espaços públicos garante ao comércio estabelecido continuar funcionando e assegura milhares de postos de trabalho.  

A prefeitura e o governo estadual têm a obrigação de apresentar solução para os milhares de trabalhadores que na informalidade estão sobrevivendo como ambulantes.

O papel de uma administração democrática que se diz comprometida com os pobres e excluídos é de formular políticas públicas. 

O poder público, quando se trata dos interesses dos ricos, não mede esforços e, diga-se a verdade, nunca lhes falta.  

Cuidar dos pobres e dos excluídos é o jogo em que todos podem ganhar.