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Brincalhões, rígidos, carinhosos, protetores, cuidadosos, conselheiros. Cada pai possui um jeito “diferentão” de ser. Comemorado neste domingo (13), o dia dos pais é marcado por homenagens e presentes dos filhos para os pais, mas e a visão paterna sobre a experiência de ter um filho (a)?

A reportagem do Cada Minuto ouviu quatro relatos diferentes de pais, de Maceió, para saber o que a data representa e o que é ser pai.

Amor à primeira vista

O casal de cabeleireiros Andrew e Yvan se mudou de São Paulo para Maceió em 2010. Ambos já sentiam vontade de ter um filho, porém, a ‘correria’ da rotina deixava o assunto de lado. Certo dia, uma cliente e coordenadora de um lar de adoção, apresentou todo o espaço do lar e falou sobre o assunto de adotar uma criança.

Com um ano e dez meses, Felipe foi adotado, sendo a primeira criança de Alagoas a ser registrada com dois pais.

“Quando chegamos ao lar de adoção e o vimos, nós nos apaixonamos de cara, o queríamos em nossas vidas”, disse Andrew.

Para o casal, Felipe mudou e completou a família de uma forma que eles não imaginavam. “Escolher adotar em nosso país é difícil devido aos padrões que muitas famílias querem, mas o mais complicado é a criança lhe reconhecer como pai ou mãe”, ressaltou Andrew.

Segundo o casal, todo o processo de adoção foi realizado tranquilamente e com uma repercussão positiva no país inteiro. Felipe foi a segunda criança registrada no Brasil por um casal homossexual.

O dia dos pais é mais um domingo onde toda a família se reúne para brincar e fazer todas as atividades que a criança gosta. “Não me imagino mais sem ser pai, pelo contrário, tudo que fazemos é para a felicidade dele. Acho que a função do pai é ajudar na realização dos sonhos do filho, e não para eles realizarem os nossos sonhos, e farei o que for possível por ele”, completou Andrew.

Para Yvan, se reconhecer como um pai foi o momento mais feliz da sua vida e Felipe foi o responsável para uma mudança positiva. “Nós o adotamos pelo amor, não nos vemos mais sem ele. E estamos aqui como um casal homoafetivo para ajudar a todos que também dar um passo como nós demos”, enfatizou.

Pai na adolescência

Artur tinha 15 anos quando descobriu que ia ser pai. Nesta fase de descoberta, Arthur era totalmente dependente dos pais e estudava. A paternidade aconteceu de uma forma inesperada, mas com muita ajuda de quem estava ao redor.

Hoje em dia, estudante de Direito, Arthur disse que ser pai tão novo mudou a sua vida. Seu filho, Davi, tem quase quatro anos e com a ajuda de sua ex-namorada e a família de ambos os pais, ele está crescendo e se desenvolvendo com toda alegria.

Quando descobriram a gravidez, Arthur e a mãe de Davi, ainda estavam no ensino médio. “Nós percebemos os sintomas, mas estávamos com medo do resultado. Quando descobrimos foi um choque, o apoio de nossos pais mudou tudo”, disse Arthur.

Segundo ele, a ajuda das famílias facilitou para o que estava vindo e apesar dos problemas e dificuldades que aconteciam em paralelo, cada momento da gestação era uma emoção geral.

“Quando Davi nasceu, nossos pais se dividiam para nos ajudar a irmos ao colégio, e quando voltávamos toda atenção era dele. Estudávamos com ele ao nosso lado, era da escola para casa, não desgrudávamos mesmo”, disse.

Arthur ainda falou que seu estilo de vida mais caseiro ajudou a não sentir tanta falta de abdicar algumas atitudes e que todo momento junto do seu filho é só alegria.

Arthur passa os finais de semana de 15 em 15 dias na companhia do filho, e o leva dois dias da semana para o inglês. “Quando ele não vem é só saudade, fico na ansiedade de tê-lo comigo. Mas quando estamos juntos é só brincadeira, fazemos os passeios que mais gostamos e aproveito da companhia dele comigo.”, disse.

Arthur ainda completou que todas as dificuldades que foram enfrentadas, tanto de adaptação quanto de relacionamentos vêm sendo superadas devido à criança. “Eu e a mãe do Davi fomos nos ajudando para o melhor futuro, junto com o apoio que temos, até hoje para podermos viver nossa vida. É incrível o ver crescendo, me faz mudar pra melhor”, completou.

Pai de primeira viagem

Fillipe Agra, 24 e Bruna já namoravam quando descobriram que a família ia ganhar mais uma integrante. Com seis meses, Flor consegue arrancar todos os suspiros de quem a conhece, principalmente do pai.

Estudante de medicina, Fillipe disse que teve que moldar toda sua rotina e planos pelos horários do bebê para que pudesse ficar mais com ela. “Muitas vezes você tem que abdicar até do sono para poder cumprir os deveres de pai, mas o cansaço some quando lembro que é para dar o melhor para Flor”, disse.

Mesmo com toda a correria da rotina, os momentos mais simples ainda são considerados os mais importantes para o pai. “Todos os dias de manhã quando ela acorda, nós a levamos para nossa cama e ficamos abraçados. Isso deixa meu dia mais leve”, acrescentou Fillipe, que também comentou que apesar dos poucos meses de nascida, já consegue sentir o carinho recíproco pela filha nos momentos de atenção que são retribuídos.

Ainda segundo Fillipe, se tornar pai foi a melhor experiência que aconteceu e disse que se sente feliz ao saber que Flor está crescendo. “Acho que a palavra que poderia descrever esse primeiro dia dos pais é orgulho. Pela Flor e pela minha família que está sendo construída na base do amor” encerrou.

Expectativa de ser pai

Igor, 27 anos, aguarda ansiosamente o seu primeiro filho no mês dos pais. Casado com Fernanda, 26, há três anos, eles planejavam serem pais, mas não esperavam que a notícia de que Enzo viria ao mundo mudaria a vida deles.

 “Foi tudo uma reviravolta na minha cabeça. Estava preocupado em não conseguir participar com minha esposa de toda a preparação, mas deu tudo certo”, contou Igor.

A notícia que Fernanda estava grávida aconteceu em janeiro, e desde então tudo é pensado para o nascimento de Enzo. “Foi uma mistura de alegria, mas também de medo, pois tudo é novo, não sabemos se vamos dar conta. O que supera tudo é a felicidade de ser pai, de poder passar o que eu aprendi. Isso é muito maior”, completou Igor.

“Minha expectativa é o nascimento. Ver como ele é, colocar nos braços, sei que o Enzo é um divisor de águas na minha vida. Tudo mudou. Hoje vivo em função de poder ser o melhor pai para meu filho, para ele futuramente, se tornar um homem como meu pai me criou”, finalizou.

 

*Estagiária