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A educação é prioridade para os candidatos ao executivo, não importa o perfil ideológico ou político e a Escola de Tempo Integral, tornou-se um fetiche, objeto de desejo no período eleitoral.

Os discursos são produzidos pelos marqueteiros e as soluções são apresentadas pelos candidatos e muitas vezes, a depender da desenvoltura do candidato, chega a convencer os eleitores.

Mas como, depois de eleito, transformar o discurso em ação prática - mais que isso -, em política pública? Meses após a vitória eleitoral o discurso é arquivado ou maquiado com artifícios pomposos para dizer que é a implantação do projeto de Escola de Tempo Integral. O marketing permanece a impingir uma realidade que só é vista no vídeo.

A educação é percebida pelo governante como um canteiro de obras, a construção e as reformas são permanentes e a educação com toda a sua complexidade tem sido empurrada com a barrica.

Na escola pública não há professores das matérias básicas, os salários são humilhantes, os profissionais do magistério e os funcionários vivem sob tenção permanente em áreas conflagradas nas periferias das cidades. O risco de morte é iminente.

As condições de trabalho de um modo geral no país e em Alagoas são dramáticass, mas o discurso governamental é triunfalista. O secretario de educação da cidade do Rio de Janeiro esta com a Cruz Vermelha internacional treinando os professores, funcionários e os alunos para se protegerem dos conflitos armados. Em Alagoas o conflito existe e tem crescido nas escolas e no entorno. A violência tem impactado o ensino e a vida de todos.

O governador Ronaldo Lessa reergueu a escola pública, para níveis, talvez, comparados aos anos da década de 1980. Pelo menos a infraestrutura. Alagoas havia sido varrida pelos furacões Geraldo Bulhões e Divaldo Suruagy, esses dois governadores deixaram como consequências atrasos nos salários (10 meses), greves intermináveis e inegociáveis. Escolas fechadas. Equipamentos furtados. Insolvência administrativa e financeira na gestão da educação estadual, para falar o mínimo.

O Estado foi reorganizado durante os dois governos de Ronaldo Lessa e houve em certa medida continuidade nos governos de Teo Vilela. Renan Filho encontrou Alagoas bem melhor que Ronaldo Lessa. Mesmo assim Alagoas perdeu o bonde, vive o atraso e ressente-se do desmonte. O Programa de Desligamento Voluntário (PDV) atingiu a educação e a segurança pública em cheio. A crise até hoje não foi superada.  

O que dizem os documentoss oficiais quando estamos distantes 20 anos do dia 17de julho de 1997, a memoria desse período é presente, Alagoas vivenciou a insurreição dos funcionários públicos e o governador Suruagy renunciou ao mandato e saiu do Palácio pela porta dos fundos, isso é dado revelador da crueldade perpetrada contra a população.

Os indicadores sociais são terríveis e os da educação por mais que tenham melhorado não tiraram a educação de Alagoas da condição de “paciente” na UTI em estado agonizante. Se há merenda nas escolas, não há professores e, menos ainda, salários condizentes.  

O Plano Estadual de Educação (p.97) aponta o abismo da educação: “Em fevereiro de 2015, restavam apenas 6.239 profissionais do magistério que contribuíam com o Fundo Financeiro e 1.595 estarão em condições de se aposentar até o final de 2015, o que significa dizer que em breve teremos apenas 4.644 profissionais do magistério contribuindo com o Fundo Financeiro, enquanto que o número de aposentados passará para 12.308 e no máximo em 8 (oito) anos não teremos mais contribuição destes profissionais para o respectivo Fundo Financeiro, portanto o ente público precisa tratar de forma urgente uma política de sustentação dos atuais e futuros aposentados por meio do fundo financeiro, ao mesmo tempo em que de forma gradativa, em um prazo de 05 (cinco) anos retire da fonte dos recursos vinculados para o Movimento e Desenvolvimento do Ensino (MDE)  os respectivos aposentados hoje existentes nela”.

Esse é um dos aspectos da crise da educação. Se é consenso que a educação é central na transformação da sociedade, uma pergunta deve ser feita: A porta de entrada para um novo mundo será a educação, mas qual tipo de educação?