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O simples fato de ter nascido como um indivíduo da raça humana significa possuir a necessidade de interagir com outras pessoas, por mais que possamos em algum dia ou outro preferirmos nos resguardar e isolar um pouco (ou no caso de algumas pessoas, na maioria dos dias), é uma necessidade biológica ter contato com outras pessoas. Dessa interação naturalmente surgem os conflitos como consequência das divergências de interesses e pensamentos, aliás, caso todos pensassem e agissem da mesma forma viveríamos no mundo do tédio (essa afirmação já está bastante clichê inclusive).

 

Daí que surgem instrumentos para inserir limites às relações humanas, as ciências jurídicas ocupam papel de destaque neste sentido. E qual o bem maior o Direito procura preservar? Alguns doutrinadores elegeram a paz social, outros a vida humana...diferenças à parte, todos levam à um mesmo entendimento: dirimir conflitos e gestar um clima minimamente harmonioso, tanto que o desrespeito às divergências é tipificado (ou seja, considerado uma conduta indesejável cuja prática pode levar à consumação de um crime) pela legislação da maioria dos países que atuam sob a perspectiva de um Estado de Direito.

 

Logo, faz parte da nossa essência querermos que nossa vontade prevaleça, o que pode nos levar à grosso modo entender que todos temos um “quê” de intolerância, mas é uma necessidade humana exercitar o respeito às divergências e as tolerarmos. Num momento de racionalidade, desde criança todos aprendemos a termos paciência e sermos tolerantes.  E assim evoluímos enquanto raça humana, bebendo das diversas experiências históricas que levaram à conclusão que é melhor para todos vivermos em harmonia em paz, exercitando cada vez mais o respeito mútuo. Todos os momentos em que a regra foi a intolerância e a tolerância foi a exceção a humanidade viveu momentos trágicos.

 

Dos momentos históricos com elevado grau de intolerância, podemos citar a escravidão, seja a africana onde tribos escravizavam outras tribos, na Antiguidade onde a escravidão não dependia da cor da pele e sim - principalmente - de prisioneiros de guerra, seja no período colonial onde os negros eram o alvo. E, ainda, a intolerância no caso da Alemanha Nazista onde Hitler ascendeu ao poder com o apoio da população que estava insatisfeita com a democracia que possuíam à época e cometeu atrocidades como assassinato em massa de aproximadamente 6 milhões de judeus, além dos outros grupos alvos do genocídio - como deficientes físicos e mentais, homossexuais, comunistas, poloneses -, que juntos ultrapassaram a casa de 10 milhões de vítimas assassinadas através de uma política de Estado do regime nazista, com a justificativa de serem segmentos inferiores e ameaçarem a hipotética superioridade da “raça ariana”.   

 

Tema extremamente atual, seja à nível internacional com o crescente fundamentalismo religiosos que potencializa o terrorismo, criado de fato por países com política externa de tipo imperialistas (ou seja, países que intervém na política interna de outros países com sua força econômica e bélica para fazerem valer seus interesses políticos e econômicos, fácil detectar os EUA como principal exemplo desse tipo de atuação). Seja no nosso país com projetos de lei que tramitam com Congresso Nacional com objetivo de criminalizar a ideologia marxista (mais conhecida como comunismo), ou em Alagoas com a recente ameaça de morte ao reitor da Universidade Estadual de Alagoas-UNEAL, Jairo Campos, pela decisão do seu Conselho Universitário de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente da República Lula da Silva.

 

Não se concorda que o ex-presidente seja digno de receber esta distinta homenagem, tudo bem, mas se outras pessoas concordam, até onde se vai para fazer valer sua opinião? Voltaremos aos regimes onde o elevado grau de intolerância punia com a morte as pessoas com opinião divergente? Aos tempos em que política se resolvia na bala*?

 

* Em postagem futura falarei sobre a relação da política com a violência, embora ainda seja possível detectar crimes políticos na atualidade, infelizmente, estes diminuem quando comparamos com décadas passadas.