Amanda Falcão* Cbdbf421 d405 40ad b1d7 a777778dd73f Estátua de Paulo Gracindo foi inaugurada na Orla de Pajuçara

A prefeitura de Maceió inaugurou, na manhã desta sexta-feira (14) uma escultura em homenagem ao ator Paulo Gracindo, em um trecho da Avenida Doutor Antônio Gouveia, no início da Orla da Pajuçara. A solenidade contou com a presença dos filhos e de outros familiares do ator.

Paulo Gracindo deu vida a figuras emblemáticas na teledramaturgia brasileira, como foi o caso do personagem Odorico Paraguaçu, na novela O Bem Amado. Gracindo Júnior, filho do ator, falou sobre o amor do pai pela profissão e da alegria da família em receber a homenagem.

“Ele era um homem de pleno amor e respeito pelo trabalho. Assim foi ele, representando com amor esse produto que foi a vida dele. Ele estará agora junto com esses outros ícones sendo homenageado na Orla de Maceió”, disse Tereza Cristina, filha mais velha de Gracindo.

Já Lucila Gracindo relembrou de quando trabalhou ao lado do pai e agradeceu o reconhecimento dado ao seu trabalho pela prefeitura. “Para conhecer meu pai, eu tive que trabalhar junto com ele, aí que eu vi quem era o Paulo Gracindo. Era uma pessoa muito boa e a grande felicidade era seu trabalho. O reconhecimento sempre foi uma surpresa pra ele. Agora ele será eternizado aqui”, disse.

O prefeito Rui Palmeira também esteve presente à solenidade de lançamento da escultura e destacou o trabalho de Paulo Gracindo como ator. Ele adiantou ainda que a prefeitura pensa em homenagear também o escritor Lêdo Ivo com uma escultura na orla. “Foi um ator extremamente versátil, apaixonado pela sua família, pela profissão e sua terra, Alagoas. Por acaso nasceu no Rio, mas seu coração é alagoano, e mostrando que nas suas veias era sangue alagoano, é realmente motivo de alegria homenageá-lo”, afirmou.

O criador da escultura, Leo Santana, também esteve presente ao evento e falou que ficou muito honrado com o convite para fazer mais este trabalho. A obra demorou quatro meses para ficar pronta, disse Santana. Ele é criador das esculturas que homenageiam Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda.

“A pesquisa me fez conhecer e acrescentar ele a minha vida, e é um prazer a oportunidade de ter valorizado a cultura e é uma alegria estar em Maceió para isso”, completou.

Trajetória

Paulo Gracindo nasceu no Rio de Janeiro em 1911 e mudou de endereço ainda criança, com a família para morar em Maceió. Foi na capital alagoana que ele teve o primeiro contato com o teatro amador. O ator morou no bairro da Pajuçara, onde a escultura será instalada. Aos 20 anos, após a morte do pai, o influente político Demócrito Gracindo, Paulo Gracindo voltou a morar no Rio de Janeiro para iniciar definitivamente uma longa história no meio artístico.

Ao longo das décadas de 1930 e 1940, o ator participou das companhias de teatro Alda Garrido, Procópio Ferreira, Elza Gomes e Dulcina de Moraes. Foi locutor, apresentador, radioator, compositor e comediante em programas de rádio de grande sucesso na década de 1950 como “Noite de Estrela” e “Edifício Balança Mas Não Cai”.

Na televisão, Paulo Gracindo foi ator, apresentador, animador e humorista. Sua estreia em telenovelas foi ao lado de Fernanda Montenegro na TV Rio em “A Morta Sem Espelho”, de Nelson Rodrigues, em 1963. Na TV Globo, na década de 1970, o ator conquistou o público ao interpretar dois grandes personagens da teledramaturgia brasileira: o bicheiro Tucão, em “Bandeira 2”, e o prefeito Odorico Paraguaçu, em “O Bem Amado”, de Dias Gomes.

O antológico prefeito Odorico Paraguaçu rendeu ao ator os prêmios de melhor ator da Associação Paulista de Críticos de Arte e da rede de TV Mexicana Televisa. Paulo Gracindo também participou de outros trabalhos de grande audiência na televisão aberta como “Gabriela”, “Roque Santeiro”, “Mulheres de Areia”, “Rainha da Sucata” e “Vamp”. Sua despedida da teledramaturgia foi uma participação especial na minissérie “Agosto”, em 1993.

No cinema, o ator consagrado trabalhou em mais de 20 filmes. Entre eles, “A Falecida”, de Leon Hirszman, “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e “Cara a Cara”, de Júlio Bressane. Paulo Gracindo morreu no dia quatro de setembro de 1995, no Rio de Janeiro, após ser diagnosticado com câncer.

*Colaboradora