Trabalho do Carvalho 409ea5de 1f63 458d 97fa 5176ff50736c SRTE/AL, Centro, Maceió/AL

A legislação trabalhista precisa de “reformas”, brada o congressista. Seu perfil: homem, com idade superior a 45 anos, casado com mulher “bela, recatada e do lar”, caucasiano, avesso às “questões” sociais, defensor do “mercado” e conservador.

Respeito o fato dele ter sido democraticamente eleito pelo público por ele representado e que, hoje, comemora a desconstrução de fundamentos basilares da CLT. Mas não consigo entender que ele também foi eleito por uma boa parte de trabalhadores que tiveram direitos laborais atropelados por aqueles votos. Se nele votaram por sadismo, ignorância ou inocência, não me cabe julgar.

Eu e o congressista concordamos em uma coisa: precisamos de “reformas” urgentes.

Ele deseja a “reforma” (sic) que precariza condições de trabalho; faz os trabalhadores laborarem mais, mesmo recebendo menos por isso; iguala forças tão díspares em “negociações” (sic) e outras excrecências. Eu, limitado em meus pensamentos, anseio pela “reforma” da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas – SRTE/AL.

Coincidentemente, no dia da aprovação da “reforma” (sic) trabalhista pelo Senado, o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas interditou a SRTE/AL pela completa falta de reforma, pela inexistência de mínima conservação, pela exposição dos trabalhadores que ali buscavam suas garantias mais básicas, bem como dos servidores que ali laboravam, a riscos graves a sua segurança e saúde.

Infiltrações que proliferavam o mofo nas paredes da grande maioria dos ambientes, tornando o local fétido e insalubre; “pingueiras” ininterruptas; instalações elétricas expostas e inseguras; desgaste visual de peças estruturais, como vigas e lajes; instalações sanitárias quebradas; desabamentos de tetos e, pasmem, “paredes elétricas” que davam choques em dias de chuva; são apenas coadjuvantes de uma casa de horrores.   

O mofo deu não só na SRTE/AL. Por ilustrativo, no Rio de Janeiro, no mesmo ano da ocorrência de um acidente de trabalho fatal naquela sede, a Superintendência de lá está em processo de despejo.

Eu, novamente limitado em meus pensamentos, ignoro que o mofo deu em diversos outros órgãos públicos. Agora mesmo, policiais rodoviários federais estão “internos” nos postos nas estradas porque não há dinheiro para gasolina nas viaturas. Faltam recursos para que a Polícia Federal emita passaportes em plenas férias escolares.

Sem embargo, o esqueleto do edifício Palmares no centro de Maceió, de braços abertos e nus, é um estandarte do abandono da coisa e do serviço público.

Provavelmente, o mofo deu e vai permanecer por muito tempo.

Se o prédio da SRTE/AL já foi casa para centenas de milhares de trabalhadores, agora órfãos da necessária fiscalização laboral, emissão de carteiras, homologações e concessão do seguro desemprego, a partir da interdição, só servirá de abrigo para desempregados, ébrios e viciados em crack que, sem teto, buscarão guarida em suas ruínas.