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O fato, bastante curioso e ilustrativo, ocorreu no Arroio Queromana em Alegrete, cidade do Rio Grande do Sul. Dois acusados de abigeato – furto de animais do campo – foram flagrados enquanto tentavam cometer mais um crime e a bala comeu! Acabaram acuados em outra propriedade e sem saída ligaram para polícia dizendo que estava ocorrendo um tiroteio. Claramente sabedores da nossa legislação e como ela aconchega em seus braços muito mais os criminosos que suas vítimas, foram ouvidos na delegacia e liberados em seguida. Os policiais – a quem parabenizo efusivamente por não complicarem a vida dos produtores – não encontraram nenhuma arma. A notícia completa foi publicada no jornal Alegrete Tudo.

Não é a primeira vez que isso ocorre. Lembro-me de um episódio de muitos anos atrás onde um comerciante teve sua loja invadida durante a noite e efetuou um disparo de advertência colocando o gatuno para correr. Não contava a vítima que o criminoso ligaria para polícia e faria uma denúncia “anônima” contra o comerciante que acabou com sua arma apreendida e detido por posse ilegal. Sim, vergonhoso.

Assim que me deparei com o fato lembrei de uma vasta pesquisa feita em meados da década de 80 - e ampliada na década de 90 - pelos professores Peter H. Rossi e James D. Wright intitulada “Armed and Considered Dangerous: A Survey of Felons and Their Firearms”. A pesquisa, encomendada pelo Departamento de Justiça Americano, consistiu em um vasto questionário aplicado para 1.874 criminosos condenados e presos nos estados de Michigan, Missouri, Oklahoma, Minnesota, Nevada, Arizona, Florida, Georgia, Maryland, e Massachusetts.

Entre tantas conclusões de relevância uma delas é que a maioria - 57% - dos presos tinham muito mais medo de um cidadão armado do que de um policial. O caso de Alegrete, descrito acima, mostra o motivo... E não é só isso. Vejamos outros pontos levantados:

81% afirmaram que procuram saber antes se a vítima está armada;

74% dos bandidos afirmaram evitar entrar em residências onde sabem morar cidadãos armados;

40% disseram que deixaram de cometer crimes por medo de que a vítima estivesse armada;

56% disseram não abordar vítimas que desconfiem estar armadas.

Isso levando-se em conta que o questionário foi livremente preenchido pelos detentos que poderiam, por assim dizer, evitar expor suas fraquezas e o quanto pesa o efeito de dissuasão da posse e o porte de armas. Efeito esse que desapareceu no Brasil com o advento do Estatuto do Desarmamento dando mais segurança apenas aos criminosos.