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A Folha de São Paulo (1), um dos maiores jornais do país, publicou mais uma reportagem em que aborda a morte de policiais e a tal “letalidade policial” em São Paulo. Desta vez aborda o assunto pelo viés desarmamentista da ONG Sou da Paz. Nada de novo no front para quem acompanha atentamente esse assunto nos últimos 20 anos.

Para o jornalista e para a ONG desarmamentista, o problema é o policial portar arma de fogo em sua folga. Em resumo: os policiais são acusados quando matam e até mesmo quando morrem. Afirmam que 70% dos policiais morrem durante seu período de folga ao reagirem ou intervirem em ocorrências criminais. Isso é fato, não discuto. As questões “esquecidas” e que deveriam estar presente obrigatoriamente se estivéssemos diante de um estudo sério “estudo” é óbvia: quantos policiais deixaram de morrer exatamente porque estavam armados e reagiram? Quantas vítimas foram salvas por policias de folga que não fizeram – usando um jargão policial – “olho de vidro”? Quantos criminosos foram presos e autuados por policias nessas condições? Claro, nada disso importa aos que não tem nenhum interesse em uma discussão verdadeira sobre o tema.

A ideia de uma polícia desarmada – e subjugada – é um velho sonho esquerdista, em especial se tratando das policias militares vistas como símbolo da “direita opressora”. A explicação é vergonhosamente simples: o ambiente policial, via de regra, é solo infértil para teses progressistas.  Não é de hoje que tentam de todas as formas impor aos policias restrições no que diz respeito à posse e ao porte de armas, mesmo para as instituições que até hoje sofrem com as imposições desarmamentistas do ditador Getúlio Vargas, tema que abordo mais profundamente em meu livro (2).

Triste - e grave - é ver teses como o desarmamento sendo encampadas por instituições policiais e guardas municipais pelo país. Há muitos exemplos disso pelo Brasil: O ônibus do Desarmamento em Alagoas, a parceria entre a Guarda Municipal de São Paulo e a ONG Sou da Paz, com a benção do prefeito João Doria (3) e ainda a Polícia Militar de São Paulo aceitando participar do Prêmio Polícia Cidadã da mesma organização (4).

Os efeitos dessas parcerias é a contaminação sistemática do pensamento policial onde o cidadão, mesmo legalmente armado, é visto como uma ameaça e não com um possível aliado na luta cada vez mais desigual contra os criminosos. Nesta semana mesmo, um amigo atirador esportivo, Vitor Oliveira, foi parado em uma blitz da polícia militar e mesmo com toda sua documentação em dia acabou levado para delegacia e foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma, chegando a passar algumas horas encarcerado junto com toda espécie de criminosos. Ele saiu apenas após pagar fiança e agora responderá a um longo e cansativo processo. Vejam o vídeo ao final deste texto.

Vitor, que conheço há anos, durante a abordagem teve que ouvir de um policial que se ele não era policial não tinha que estar armado. Mal sabe esse soldado que o mesmo pessoal que lhe incutiu essa ideia na cabeça, ele está nesse momento trabalhando fervorosamente para desarmá-lo também. É, tem gente que vai para cama do inimigo e nem percebe, enquanto isso a esquerda de condomínio fechado comemora a prisão de mais um cidadão honesto e chora quando um bandido morre em confronto com a polícia. Desarmar policias para que supostamente eles não moram é mais uma farsa desarmamentista e seria, em última instância, declarar o crime vencedor por WO. 

 

(1)    https://www.facebook.com/folhadesp/posts/1876791229029538

(2)    http://livraria.mvb.org.br/mentiram-para-mim-sobre-o-desarmamento

(3)    https://youtu.be/QEigxlTVx9k

(4)    http://www.soudapaz.org/o-que-fazemos/desenvolver/sistema-de-justica-criminal-e-seguranca-publica/policia/premio-policia-cidada