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Na semana passada o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP, órgão ligado ao Ministério da Educação divulgou os resultados dos indicadores de qualidade para os cursos de graduação nas áreas de ciências sociais aplicadas e tecnológicos.

São três os indicadores principais: i) Índice Geral de Cursos (IGC) que calcula a qualidade do ensino na instituição avaliada e leva em consideração, entre outros aspectos, a qualidade também da pós-graduação (caso a instituição avaliada possua), e o Conceito Preliminar do Curso (CPC), envolvendo variáveis relacionadas ao funcionamento dos cursos de graduação como nível de formação do quadro docente, regime de trabalho, infraestrutura etc. Além do IGC e CPC, tem-se o conhecido Conceito ENADE (CE), um indicador que avalia o desempenho dos alunos de graduação nas provas aplicadas, com questões nas áreas de formação geral (10 questões) e conhecimentos específicos na respectiva área de formação profissional (30 questões).

Algumas poucas reportagens sobre o assunto saíram na imprensa escrita local, mas não vão além da análise factual, apontando esse ou aquele curso, naquela ou essa instituição, que foi bem avaliado. Entretanto, uma avaliação pormenorizada do quadro atual e uma comparação com os resultados da última avaliação feita em 2012, revela um quadro muito, mas muito preocupante para a graduação alagoana nas áreas das ciências sociais aplicadas e tecnológicos.

No geral, a avaliação Enade de 2012 abrangeu 60 cursos de graduação em Alagoas naquelas áreas do conhecimento em 20 instituições de ensino superior, públicas e privadas, como universidades, centros universitários, faculdades e institutos de ensino.

Em 2015, foram avaliados 72 cursos em 21 instituições e 26 deles não existiam em 2012, ou seja, foram avaliados pela primeira vez. Enquanto isso 14 cursos ficaram sem conceito em 2015, indicando que foram fechados, seja por necessidades de reorganização empresarial (prática comum nas instituições privadas) ou desautorizados pelo MEC a continuar funcionando pelo consecutivo baixo desempenho. [clique aqui para conferir as edições e resultados do Enade]

Dos 26 novos cursos, 15 receberam a nota 2 (mínima) em sua primeira avaliação, 5 cursos nota 3 e apenas 2 cursos nota 4. Um único curso em Alagoas nas referidas áreas recebeu nota 5 (máxima). Trata-se da graduação em Tecnologia em Design de Interiores, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas – IFAL, campus de Maceió.

Com esses dados podemos adiantar em conclusão que graduação nas áreas de Ciências Sociais Aplicadas e alguns cursos Tecnológicos piorou sensivelmente entre 2012 e 2015. Apesar dos 26 novos cursos novos que foram avaliados pela primeira vez, em 15 deles os alunos se saíram muito abaixo do esperado nas provas resultando na nota mínima.

Além disso, 21 cursos caíram de conceito. O caso que mais chamou atenção foi o curso de Tecnologia em Gestão Financeira, da Faculdade de Tecnologia de Alagoas – FAT. Na avaliação de 2012 ele obteve a nota máxima 5 e no último resultado passou à 1. Se o curso de Tecnologia em Design de Interiores do IFAL não fosse, pela primeira vez, vale salientar, avaliado com a nota máxima, nenhum curso em Alagoas alcançaria destaque em excelência no Conceito Enade 2015.

Por sua vez, outros 21 cursos de graduação repetiram as mesmas notas no Conceito Enade. Com nota 4, destacaram-se Administração (UFAL/Maceió), Direito (UFAL/Maceió), Psicologia (UFAL/Maceió; um dos cursos que evoluiu), Ciências Contábeis (UFAL/Santana de Ipanema; primeira avaliação) e Tecnologia em Logística (FAT/Maceió; primeira avaliação).

A UNINASSAU foi a instituição com o maior número de cursos rebaixados (Administração, Direito, Ciências Contábeis, Tecnologia em Design Gráfico e Publicidade e Propaganda). As demais foram: FACIMA (Administração, Ciências Contábeis e Direito); CESMAC (Administração, Ciências Contábeis e Publicidade e Propaganda); FAT (Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos e Tecnologia em Gestão Financeira); UFAL (Ciências Econômicas/Maceió e Psicologia/Palmeira dos Índios); UNEAL (Direito); UNIT (Psicologia); FAA (Administração); Estácio Fal (Direito); IESA (Direito); e, Faculdade Raimundo Marinho (Direito/Maceió).

Enquanto isso, apenas 4 cursos evoluíram de conceito. Além da graduação em Psicologia da UFAL/Campus Maceió que já nos referimos, avançaram os cursos de Administração da Estácio FAL e Faculdade Figueiredo Costa (FIC) e o curso de Direito no Centro de Ensino Superior Arcanjo Mikael (CESAMA/Arapiraca).

Evidente que quanto mais cursos uma Instituição apresentou para avaliação, maior a probabilidade de resultados negativos e o inverso também é válido. Mas essa hipótese não se verificou porque a UFAL teve 14 cursos de graduação avaliados e, como citado acima, somente os cursos de Ciências Econômicas (Campus Maceió) e Psicologia (Campus Palmeira dos Índios) foram rebaixados às notas 2 e 3, respectivamente.  

Abaixo os dados comparativos entre o ENADE 2012 e 2015 resumem a situação: pioramos nas áreas de ciências sociais aplicadas e cursos tecnológicos.

Ano

2012

Total

Conceito

1

2

3

4

5

 

Nº Cursos

5

14

34

6

1

60

Ano

2015

 

Conceito

1

2

3

4

5

 

Nº Cursos

9

33

25

4

1

72

 

Os cursos em maiores quantidades analuzados em Alagoas são Administração, 20 (sendo 4 na área Pública), Direito, 16, e Ciências Contábeis, 9. Em Administração 11 cursos ficaram com nota 2, em Direito 5 cursos tiraram nota 1 e 4 deles nota 2. Por fim, em Ciências Contábeis apenas 1 curso foi avaliado como muito ruim e 4 foram classificados como ruim, ou seja, nota 2.

Uma primeira conclusão que pode ser tirada dessa avaliação de uma parte do conjunto da graduação alagoana, trata-se de um melhor desempenho das instituições públicas. Nelas se concentram os cursos com os melhores conceitos e uma maior estabilidade nos melhores conceitos entre as edições dos processos de avaliação.

Em segundo lugar, poderíamos refletir sobre as causas, razões responsáveis por esse quadro ter piorado em Alagoas. Porém, certamente, elas são bastante diferentes para cada curso e Instituição de ensino superior. Como o conceito Enade leva em conta um conjunto de indicadores, seria preciso um estudo mais minucioso para decifrar os dados. Porém, uma hipótese bastante plausível deve ser levada em consideração.

Por experiência própria de quem já coordenou um curso de graduação nessa área, muitas vezes simples práticas de gestão ajudam no processo de planejamento e preparação para enfrentar esses momentos de avaliação. Gestão coletiva, é bom salientar.

Conhecer bem o “estoque” de alunos matriculados, o perfil de cada um deles e as possibilidades de participarem da avaliação são passos essenciais. Esse é um momento importante para realizar desligamento de estudantes que não cursam ou não se interessam mais em levar adiante os estudos na área escolhida originalmente. Após uma criteriosa avaliação do quadro discente, importa muito engajar alunos bolsistas, de pós-graduação (caso o curso de graduação tenha continuidade nesse nível) e monitores em um cronograma de preparação dos alunos que se submeterão ao ENADE, através de aulas e acompanhamento de atividades voltadas para esse reforço acadêmico. O envolvimento do máximo possível de professores ao longo dos semestres letivos que antecedem o ENADE, na conscientização da importância da avaliação e das consequências futuras, negativas e positivas, dos seus resultados e, especialmente, na atenção e dedicação dispensadas na formação pedagógica dos alunos, são aspectos indispensáveis para um resultado favorável.

Sim, para não esquecer, a qualidade do professor e suas condições de trabalho também contam muito...