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“Naquele tempo não havia nem mesmo um único ferreiro em todo o território israelita, porquanto os filisteus haviam proibido os hebreus de fazer espadas e lanças. Por este motivo, todo israelense tinha que dirigir-se aos filisteus para afiar seus arados, enxadas, machados e foices.” 1 Samuel 13; 19-20

O desarmamento como ferramenta de domínio e subjugação não é nenhuma novidade, porém, ao que parece, muitos tendem em ignorar esse fato. Povos e nações foram aterrorizados, genocídios ocorreram, ditadores se perpetraram no poder, esse é o rastro do desarmamento na história. Assim foi com os israelenses em tempos bíblicos, assim foi no Japão feudal, na Alemanha nazista, na extinta União Soviética, na Coréia do Norte, em Cuba, em Angola, no Iraque de Saddam Hussein e mais modernamente na Venezuela dos ditadores Chávez e Maduro que neste momento implementa o desarmamento enquanto levam seus cidadãos à fome e esmaga a oposição. Confesso que apenas esses exemplos já seria mais do que suficientes para que qualquer cristão se posicionasse firmemente contra qualquer tentativa de desarmamento, ou melhor, de qualquer tentativa de governos em criar o monopólio da força em suas mãos, mas podemos ir um pouco mais fundo nesse lamaçal de mentiras que se criou no Brasil nesses últimos anos sobre o assunto.

 

Embora o Brasil tenha em toda sua história sofrido com algum tipo de controle de armas, foi no governo do ditador Getúlio Vargas que surgiram as primeiras campanhas “voluntárias” de desarmamento e as restrições de calibres e tipos de armas que vigem até hoje no país. Seu único objetivo era evitar levantes como a Revolução Constitucionalista e que os coronéis nordestinos continuassem tendo poder local. Até a década de 90, tal legislação, embora já bastante restritiva, nunca foi impeditiva para que os cidadãos possuíssem e portassem armas de fogo e nunca foi um problema de ordem moral para qualquer cristão brasileiro a posse desses instrumentos. A coisa começa a mudar no governo de Fernando Henrique Cardoso que “importa” as diretrizes da ONU no que diz respeito ao controle de armas e aliando-se aos marxistas do CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, começa a incutir na cabeça dos desavisados que cristãos devem ficar longe das armas de fogo... Um tabu que nunca existiu! Um falso tabu criado única e exclusivamente para intuitos ideológicos.

 

Não foram poucos cristãos que já pegaram em armas e a Guerra Cristera, ocorrida no México e que se desenrolou entre 1926 e 1929, é um desses exemplos. Não tenho como aqui me aprofundar nos detalhes de tal conflito e de forma resumida posso afirmar que a Igreja Católica teria sido exterminada naquele país se milhares de cristão, homens, mulheres e até crianças não tivessem pego em armas e lutado contra o governo. Em todo Oriente Médio, neste exato momento, cristão se armam e combatem as tropas muçulmanas que sistematicamente exterminam aqueles que não professam de sua fé. Estão esses cristãos em pecado? Melhor seria entregar-se aos milhares para o abate como ovelhas? Não, claro que não!

 

Você já ouviu falar de São Gabriel Possenti? Provavelmente não. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, nascido Francesco Possenti em 1º de março de 1838, viveu na cidade de Isola del Gran Sasso, na região de Abruzzo, Itália. No ano de 1860 cerca de vinte mercenários renegados, ligados ao exército do comunista Giuseppe Garibaldi invadem a cidade. Sozinho e desarmado sai do seminário para enfrenta-los. Ridicularizado por um facínora que estava prestes a violentar uma moça, em um rápido movimento, retira a arma da cintura do mercenário e rendeu outro, tomando-lhe também a arma. Seus companheiros correram em sua defesa e a morte do seminarista era certa se, naquele momento, um pequeno lagarto não tivesse cruzado a rua e por um mínimo instante parado. Tempo ínfimo, mas suficiente para que Possenti fizesse mira e abatesse o pequeno animal com um único disparo. As tropas, diante da coragem e da pontaria do rapaz, revolveram que o melhor seria abandonar a cidade.

 

Poderia ainda citar vários outros exemplos e personagens como o pastor Sam Childers conhecido como o Pastor Metralhadora cuja história deu origem ao filme Redenção ou ainda   Charl van Wyk um missionário que com apenas 21 anos que salvou mais de mil pessoas de um ataque terrorista na igreja St. James localizada no subúrbio da Cidade do Cabo, África do Sul, ao disparar com seu revolver contra 4 homens que invadiram o local disparando seus fuzis e lançando granadas, mas gostaria de deixar como exemplo máximo da total compatibilidade – e muitas vezes da necessidade - da posse e do porte de armas e o cristianismo, ninguém menos que o Papa, não apenas o Papa atual, mas todos os Papa que são protegidos pela Guarda Suíça, tropa de elite do exército Suíço que usando submetralhadoras MP-5 e pistolas Glock 9mm protegem sumo pontífice.

Afirmo sem o menor medo, como católico e defensor da pacífica posse de armas de fogo, que não há a menor incompatibilidade entre esse instrumento e a fé cristã e como afirmou João Paulo II: “Em um mundo marcado pelo mal e pelo pecado, existe o direito à legítima defesa com armas e por motivos justos... Esse direito pode se tornar um grave dever para quem é responsável pela vida dos outros, da família ou da comunidade civil”.

Este artigo foi publicado originalmente na revista Verbum nº 2