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De tempos em tempos a imprensa é pega de surpresa com algum lançamento ou novidade no mundo das armas de fogo e munições e, claro, com total desconhecimento sobre a matéria sai em desabalada e histérica carreira publicando tudo aquilo que ela imagina ser verdade. Quase sempre um amontoado de bobagens e premonições catastróficas que deixariam Nostra Damus apavorado! Chamar alguém que tenha o mínimo conhecimento técnico sobre o assunto? Nem pensar! Muito melhor é consultar aqueles “especialistas” de sempre, do mais do mesmo, que no fundo não fazem a menor ideia do que estão falando. Para exemplificar temos o recente aparecimento das tais armas feitas em impressoras 3D. Lembram do alarde que foi feito? E ai, na prática o que ocorreu? Algum atentado? Um mísero homicídio? Armas sendo impressas e distribuídas pelas ruas? Nada! Só barulho. Festim!

A última agora é o lançamento de uma pistola em calibre .380 ACP com capacidade de apenas dois cartuchos e que se parece com um celular, mais precisamente com um i-Phone. Pronto! Imediatamente pipocaram pelo mundo matérias sensacionalistas que fazem parecer que tal arma é imperceptível e alguém com uma dessas poderia entrar em qualquer local... Primeiramente ela não é invisível nem ao olho humano que com uma rápida examinada pode identificar que não se trata de um celular “comum” e muito menos é invisível aos detectores de metal, equipamentos de raio-X e scanners corporais... E, segundo, para espanto de muitos jornalistas, isso não é sequer novidade!

Desde que as armas foram desenvolvidas, sejam de fogo ou não, muito se empenharam em dissimulá-las em objetos comuns e inofensivos. Assim, se qualquer um der uma vasculhada no Google procurando por “armas dissimuladas” ou “Disguised firearms”. Encontrará armas dissimuladas em formatos de anel, relógio, crucifixo, caneta, isqueiro, bengala, fivelas de cinto, guarda-chuva, maleta, lanterna, maço de cigarros, cachimbo e mais uma infinidade de opções! Nem mesmo a ideia do telefone celular é nova. Lá pelos meados da década de 90, um produtor não identificado lançou uma versão onde o celular-pistola era em calibre .22 e podia efetuar 4 disparos consecutivos, é possível encontrar vídeos dessa arma no Youtube. Neste último caso, em especial, lembro-me muito bem do alarde da imprensa sobre como ele poderia ser usado por criminosos, terroristas e contra policiais... Até onde se sabe, não houve um só caso!

Não bastasse isso temos ainda armas em tamanho diminuto com os mini-revolveres da North American Arms, Derringers (pequenas pistolas de dois tiros) e pistolas semiautomáticas minimizadas em seus mecanismos e calibres. Todas elas podem ser – e são! – escondidas de várias formas.  Eu mesmo, na década de 90, portei – legalmente, é bom dizer - uma pequena pistola Taurus modelo PT 51 em calibre 6,35mm dentro de uma carteira coldre. Aqui faço um parêntese: a legislação brasileira proíbe qualquer tipo de arma dissimulada, ou seja, uma arma feita em formato de outro objeto com o intuito de evitar que a mesma seja identificada como tal.

O que demostro é que, mais uma vez, há muito barulho por nada. Histeria anti-armas já muito bem conhecida por nós e só isso. Pode alguém cometer uma atrocidade com a tal arma i-Phone? Sim, poderia. É provável que aconteça? Muito pouco provável. E mesmo que ocorra, a inexistência dela não impediria que ocorresse, pois há e sempre haverá existência de outras opções tão ou mais eficazes.

Michael Moore, um dos mais doentios defensores das restrições para armas, mesmo ele, não foi capaz de ignorar a verdade de que qualquer objeto pode se tornar uma arma mortal e após o fatídico 11 de setembro em NY, escreveu:

"Isto começou como um documentário sobre a violência com armas na América, mas o maior assassinato em massa de nossa história acabou de ser cometido - sem o uso de uma única arma! Nem um único projétil disparado! Nenhuma bomba foi explodida, nenhum míssil disparado, nenhuma arma (ou seja, um dispositivo fabricado especificamente e com o propósito único de matar humanos) foi usada. Um estilete! - Eu não consigo parar de pensar nisso. Mil leis de controle de armas não teriam prevenido esse massacre. O que estou fazendo?"

A imprensa precisa urgentemente parar de se retroalimentar sobre certos assuntos, parar de acreditar que o seu pensamento ou suposto conhecimento, discutido em mesas de barzinhos badalados com outros jornalistas que pensam exatamente da mesma forma, são a verdade absoluta e incontestável.  Publicar coisas assim, sem ouvir quem realmente entendo sobre o assunto, quase sempre acaba em vergonha daqueles que parecem fazer questão de viver fora do mundo real.