Crédito: Joyce Marina/CM/Arquivo F7a5ac3d 9f09 4bd5 8d34 e867f83c8114 Governador Renan Filho falou sobre o sistema prisional

O governador Renan Filho defendeu que as denúncias feitas ontem (09) pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários que relacionam o juiz da Vara de Execuções Penais com suposto beneficiamento de detentos sejam investigadas. Ele também comentou sobre a onda de rebeliões que atingiram os presídios de Roraima e Manaus e não descartou que episódios como estes e Roraima se repitam em Alagoas.

As declarações foram feitas durante uma solenidade na Academia da Polícia Militar, no bairro do Trapiche. Renan Filho reconheceu o trabalho do juiz José Braga Neto na Vara de Execuções Penais e ponderou que desentendimentos dessa natureza devem ser evitados.

“O juiz de execuções penais tem um trabalho exemplar em Alagoas. É um juiz dedicado, trabalha muito e eu acho que esse tipo de desentendimento não é bom para ninguém, nem para Alagoas. Tenho defendido sempre que a estabilidade institucional tem ajudado muito para que possamos avançar nessa crise. Imagina o governador brigando com a Assembleia, com o Tribunal de Justiça. Isso cria muitas dificuldades. Agora temos que dar as mãos e manter a segurança dos cidadãos”, afirmou.

Durante coletiva nesta segunda-feira (09) o Sindicato dos Agentes Penitenciários denunciou que Hugo Soares Braga, filho do juiz da vara de Execuções Penais, José Braga Neto, é advogado de membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria a conivência do pai em ações que beneficiem os seus clientes.

Segundo o presidente do Sindapen, Kleyton Anderson, o filho do juiz frequenta o sistema prisional desde a época que era estagiário de direito. Agora formado, tornou-se advogado dos membros da facção. A prova de ligação está nas visitas feitas aos reeducandos.

“Existe um livro de entrada de advogados para visita aos presos. Ele não assina nada no processo, porque seria um “descaramento” quando o pai é juiz de execuções penais. Mas são visitas frequentes aos reeducandos. Ele consegue de uma certa forma, facilitar situações benéficas para os presos. A gente acredita que o fato do pai dele ser juiz, facilita transferências, a comunicação é mais fácil. Ele consegue situações melhores para os seus clientes”, disparou.

O juiz da Vara de Execuções rebateu as acusações o dizer que trata-se de “revanchismo” e de “estupidez” por parte do presidente do Sindicato.

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Estado trabalha para evitar caos nos presídios, diz governador

Assim como o secretário de Segurança Pública, Renan Filho disse que o Estado vem trabalhando para evitar que represálias de facções criminosas culminem com mortes como ocorreu em presídios no Norte do país. Entre as medidas adotadas, o governo isolou os líderes de facções criminosas para evitar conflitos e rebeliões. Ele não descartou ocorrências dessa natureza no sistema prisional alagoano e disse ainda que os episódios orquestrados pelas organizações criminosas tentam desestabilizar o país.

“Existe o risco de acontecer em todo o país. Desde o dia que aconteceu em Manaus que trabalhamos diariamente. Temos alguns áudios mostrando que essas organizações trabalham para desestabilizar o país. Isso pode acontecer em qualquer lugar e temos que estar prontos. Fizemos revistas em todos os presídios e apreendemos armas, drogas, celulares, facas, espetos e isso deve ser recorrente, o governo deve fazer esse tipo de trabalho recorrente principalmente quando há briga de facções”, completou.

*Colaboradora