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Há dois anos, a ideia da Fábrica de Sonhos surgiu, em Arapiraca, com a proposta de fazer a decoração natalina a partir de material reciclado, utilizando a mão de obra e o talento de artistas locais. A solução apareceu porque, na época, o município não dispunha de recursos financeiros para os festejos de Natal. O auge, em 2015, foi a decoração arrojada do Bosque das Arapiracas. Este ano, reduzida novamente em virtude da falta de investimentos.

A atuação da Fábrica de Sonhos, neste ínterim, entretanto, foi ampliada e ganhou as ruas da cidade e, principalmente, o Parque Ceci Cunha e o Mercado do Artesanato. O cotidiano da população ganhou pinturas, esculturas, mosaicos e brinquedos interativos.

Sediada em um galpão cedido e contando com o apoio da iniciativa privada, a Fábrica de Sonhos é um projeto que sobreviveu por insistência do idealizador Daniel Rocha, do coordenador Fabrício Azevedo, e compromisso dos próprios artistas: Jonhson Cavalcante, Pedro Rodrigues da Silva Júnior, Marcelo Mascaro, Antônio Alberio Carvalho, mestre José Wilson, Zélia Nogueira e Branca Nogueira.

Apesar do sucesso das artes nas ruas, a iniciativa pode não ter continuidade. A instalação da decoração natalina e a realização de uma exposição fotográfica, no último final de semana, no Arapiraca Garden Shopping, foram as últimas ações do projeto, uma vez que já não está mais recebendo recursos financeiros e os artistas, contratados para trabalhar na concretização das obras, já foram dispensados.

Ruas vivas

As pinturas do artista plástico, Marcelo Mascaro, trouxeram cor e interatividade a ruas e espaços públicos. Nas redes sociais, as fotos dos internautas interagindo com elas multiplicam-se diariamente. As imagens 3D, as asas, os beija-flores parecem hoje uma necessidade visual. A cidade existia mesmo antes delas?

“Eu tenho 35 anos de trabalhos particulares, mas nunca tinha feito um trabalho de rua. O que eu tinha dentro de mim era muita ideia e muita vontade. Fui fazendo na ousadia”, confessou o artista, durante um evento.

A estação celular solar, desenhada pelo multifacetado Alberio Carvalho, tornou-se um marco na Praça Luiz Pereira Lima. Foram nove meses para execução do projeto que contou com a habilidade de Pedro Rodrigues, mineiro, radicado há cinco anos em Arapiraca, e com experiência internacional em mecânica (ele morou um ano na Alemanha, trabalhando na Mercedes-Benz). “A gente está sempre aprendendo porque sempre tem artista aqui. Cada um com uma ideia nova”, destaca Pedro acerca da sua vivência na Fábrica.

Jonhson Cavalcante, profissional conhecido em toda a cidade, atua da soldagem até a finalização. Durante os dois anos de Fábrica dos Sonhos, ampliou suas habilidades, além da serigrafia, comunicação visual em geral, pintura, montagem, entre outras práticas que já executava, ele também aprendeu a fazer peças com pneus reciclados. “Vi na internet, fiquei interessado e comecei a fazer. Hoje, eu domino o pneu”, explica.

Os mosaicos são outra atração. Os pequenos pedaços coloridos de cerâmica,  organizados e colados pelas mãos pacientes de Wilson, Zélia e Branca, dão vida a diferentes formas, como as placas que sinalizam o Bosque das Arapiracas  e o Parque Ceci Cunha que já viraram pontos turísticos. Impossível não se encantar. Pessoas humildes que descobriram na arte uma forma também de sustento.

A Fábrica de Sonhos foi um ganho para a população, mas, principalmente, para os profissionais-artistas que passaram a ser valorizados e reconhecidos. “Os talentos da cidade precisam de reconhecimento”, ressaltou o idealizador Daniel Rocha.