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"O subdesenvolvimento, como o Deus Jano, tanto olha para frente como para trás, não tem orientação definida. É um impasse histórico que espontaneamente não pode levar senão a alguma forma de catástrofe social. Somente um projeto político apoiado em conhecimento consistente da realidade social poderá romper a sua lógica perversa" (Celso Furtado. Brasil: a construção interrompida. 3ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992).

"...o subdesenvolvimento, onde ele surge e se mantém, não é mera cópia frustrada de algo maior nem uma fatalidade. Mas uma escolha, se não realizada, pelo menos aceita socialmente, e que depende, para ser condenado e superado, de outras escolhas da mesma natureza, que forcem os homens a confiar em si mesmos ou em sua civilização e visarem o futuro (Florestan Fernandes. Sociedade de classes e subdesenvolvimento. 5ª edição. São Paulo: Global Editora, 2008).

 

O tema do desenvolvimento econômico só avançou na literatura especializada a partir da II Guerra Mundial. A preocupação dominante, nas primeiras cinco décadas do século XX, foi de restabelecer o ritmo de crescimento das economias abaladas por (i) dois grandes conflitos bélicos mundiais e (ii) pelos elevados padrões de desemprego, causados pela forte depressão de 1930.

O crescimento econômico se relaciona, principalmente, com evolução dos sistemas produtivos, quantitativamente aferida pela expansão da riqueza material na forma de bens e serviços. Esse processo alcança um ciclo virtuoso devido a duas condições consideradas básicas: i) a inversão na produção do capital acumulado em momentos pregressos e ii) a incorporação do progresso científico e tecnológico aos processos produtivos e organizações.

Os resultados do crescimento econômico são os mais diversos. Os conhecidos são a geração de empregos, aumento da renda agregada e acumulação de riquezas nas formas de ativos financeiros (aplicações, títulos, etc.) ou reais (imóveis, automóveis, terrenos, etc.). Nesse sentido, uma economia que apresenta taxas elevadas de crescimento por um período longo testemunhará a renda per capita se expandir, caso o ritmo de crescimento populacional seja abaixo da economia. Com isso, a sociedade, além de alcançar um padrão de renda e riqueza maior, terá à sua disposição uma oferta espetacular de bens e serviços que, complementada com as importações, lhes garantirão a satisfação de suas necessidades e carências.

Entretanto, para que esse processo seja coroado de sucesso, ou seja, que o crescimento econômico alcance o maior número de pessoas de uma comunidade, é preciso considerar alguns aspectos fundamentais. É elementar, porém nada fácil, que a formação de renda e riqueza se distribua de forma mais equitativa entre as famílias. São essenciais nesse sentido: i) que as negociações entre empresários e trabalhadores sejam contínuas e amadurecidas; ii) que o padrão e os níveis educacionais progridam na erradicação do analfabetismo e na preparação do jovem, tanto para o mercado de trabalho como para carreira científica e tecnológica; e, iii) que a estrutura produtiva se diversifique.

Outro elemento de importância vital é a infraestrutura de transporte e mobilidade urbana. Ela é fundamental porque se assemelha às veias e artérias, que são responsáveis por interligar os órgãos vitais e, por meio delas, o precioso sangue percorre levando oxigênio, água e proteínas para o bom funcionamento do corpo humano. Portanto, sem uma infraestrutura adequada, o sistema econômico torna-se ineficiente, com baixa capacidade de atratividade de novos negócios, pressão sobre os custos empresariais e da força de trabalho, bem como piora das condições de vida da população em geral.

Diante do exposto, podemos inferir que o crescimento conduzido nesses termos resulta em desenvolvimento econômico. Esse, por sua vez, representa um movimento qualitativo (não apenas quantitativo), de transformação das estruturas econômicas em direção a um nível superior de funcionamento do sistema de produção e distribuição de renda e riqueza.

A discussão sobre os desafios do desenvolvimento econômico de Alagoas não pode prescindir dessa moldura mais geral. O nosso desenvolvimento passa, portanto, por mudanças estruturais que somente serão viáveis com a colaboração de um crescimento econômico mais acelerado, sustentável e mais respeitável com a natureza. A superação do subdesenvolvimento como posto nas citações que deram inicio e esse texto, exige capacidade de decisão política, consertação social e apoio institucional.

Alguns elementos indicam que Alagoas segue um novo rumo interligando algumas ações estratégicas com o propósito de enfrentar o subdesenvolvimento, onde se destacam: fomento à ciência e tecnologia; recuperação da capacidade fiscal e institucional do Estado; ampliação dos incentivos aos setores de comércio e serviços; revisão da política de concessão fiscal à indústria e formas de atração de novas empresas; apoio à agricultura famíliar; mudança do paradigma do ensino público fundamental; combate à violência e fortalecimento do sistema de segurança pública; continuidade das parcerias com o governo federal na redução da pobreza e miséria.