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Passar 49 anos no poder não era simplesmente uma atitude oportunista, de perpetuação, de amor e paixão por ele. Pensar assim ou analisar por esse prisma é reduzir uma complexa trama de relações internacionais e conflitos, recheada de tentativas conspiratórias e ameaças concretas de eliminação. Somente um homem dessa envergadura poderia resistir e liderar a resistência de uma nação pequena no território, mas enorme na vontade de lutar e não se deixar dominar, escravizar-se, pelas novas formas de neocolonização do século XX, molduradas pelas avançadas tecnologias, sistemas econômicos oligopolizados e práticas políticas ordenhadas pelo realismo e utilitarismo capitalistas. Talvez a pequena ilha de Cuba pudesse ter dois destinos: se fosse completamente anexada aos EUA, como hoje é o Havaí; se fosse respeitada sua vontade própria, da maioria de seu povo, de ser livre e escolher seu destino, sem que um grande império impusesse barreiras em seu caminho, nem daqueles que se solidarizavam ou queriam manter relações com ela. Mas a história não foi assim. Sob a liderança de Fidel, a pequena ilha não foi simplesmente anexada, transformada em um balneário de luxo e, talvez, extinta sua população original ou submetida aos escalões inferiores da divisão social, escapando apenas aqueles mais "sabidos" ou cumpridores de ordens. Também não conseguiu a tão sonhada liberdade, assentada na autonomia e capacidade de fazer escolhas. Não foi dado trégua em nenhum minuto. À "pequena" ilha, antiga colônia hispânica, dominada depois por castas internas de costas para seu povo, somente foi permitido o direito de resistir, embora tenha se tornado uma das sociedades menos injustas da América Latina, mesmo com o pouco que podia produzir e sem contar com a vastidão do comércio exterior, em virtude do embargo levantado. Vai-te Comandante Fidel Castro, depois de 10 presidentes estadunidenses não mereces testemunhar um Donald Trump e seus arroubos contra os latino-americanos; ele não chega nem a tua cintura. Deixa isso para o coração dos mais jovens, que bombeia o sangue que corre nas veias ainda abertas da América Latina.