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Não sei o que foi pior, se a análise dos tais especialistas que, quase unanimemente, apostavam na vitória tranquila de Hillary Clinton ou a tentativa de justificar, a posteriori, o fracasso miserável de suas projeções. Há um problema recorrente de muitos ditos analistas: não fazem análises e sim torcida descarada pelo candidato A ou B. Cito em especial o pessoal da Globo News que, vejamos, erraram todas as análises abaixo:

O desarmamento vai vencer no referendo de 2005; 

Obama conseguira aprovar mais restrições às armas nos EUA;

Os Suíços votarão por mais restrições às armas no plebiscito que será realizado;

As FARC serão perdoadas pelo povo colombiano no “plebiscito da paz”;

A Inglaterra dirá não ao Brexit, e;

Hillary já está eleita e o Trump é um bufão sem chance.

O que todos esses eventos possuem em comum? Todos trazem em seu bojo, alguns mais e outros menos, anseios ideológicos da esquerda que são incapazes de abandonar seus dogmas ideológicos ofuscantes até mesmo por alguns minutos. Cravam então suas torcidas, suas apostas, seus anseios, tudo, menos análises sérias e factuais. Falei disso quando Obama saiu derrotado em sua missão de aprovar medidas restritivas à posse e porte de armas em solo americano no artigo intitulado “Senado rejeita restrições à posse de armas nos EUA: torcida não é análise, nem jornalismo”. O link está final deste texto. 

Nas análises pós-ocorridos, ainda mais cegos pelo impacto de suas humilhantes derrotas, fazem ainda pior e saem atirando para todos os lados, quase sempre errando em tudo. Acreditem, fui testemunha disso, muito de perto, no referendo de 2005 e, juro!, até hoje eles não chegaram nem perto dos motivos reais da sua inexorável derrota. O apoio irrestrito das maiores emissoras, redes de rádios, jornais, revistas, artistas, Senado, Câmara e até da presidência, parecia garantir uma vitória fácil. Bom, não sou eu que vou contar o nosso segredo óbvio que só eles não enxergam.

Hoje, menos de 24 horas da derrota de Hillary, “a favorita”, tudo se repete. Já culparam a democracia, os pobres, as pessoas sem estudos e até os imigrantes legais(!!!!). Parece que ninguém realmente tenta entender as coisas. É triste ver o nível. Mesmo dentro das análises mais imparciais, um dos pontos que é quase sempre esquecido ou distorcido é a defesa do americano médio à sua Constituição, mais precisamente à Segunda Emenda, que afirma:

“Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido.”

A profundidade e importância desta emenda que não só dá um direito ao povo como também lhe responsabiliza pela eterna vigilância às suas liberdades e à própria democracia é de difícil compreensão para alguns “especialistas”. É que para entender, com profundidade a segunda emenda, é obrigatório conhecer os princípios que nortearam a fundação da mais importante e duradoura experiência democrática do mundo. Para isso, se me permitem, indico como introdução ao tema o livro O Grande Experimento de Marcel Novaes lançado esse ano pela Editora Record. 

A análise sempre superficial de que a segunda emenda diz respeito às armas e só, induz a erros grotescos como os que vi, ontem, na Globo News, onde até mesmo Demétrio Magnoli não escapou e afirmou que a segunda emenda foi feita para proteger os fazendeiros brancos... Desconhece o pensador que foram os Democratas com apoio da famigerada Klu Klux Klan que sempre apoiaram as restrições à posse de armas em especial pelos negros, aqueles que tanto gostavam de perseguir. A lógica é simples: tente queimar uma cruz ou espancar um filho de um homem que tenha em suas mãos um fuzil...

Trump, ao contrário de Hillary, sabe muito bem o valor que a Segunda Emenda tem para o povo americano e ao afirmar, sempre que possível, que seria um defensor dessa liberdade sabia que não estava falando para os jornais, para TV ou para o establishment. Ele se dirigia ao coração do que se convencionou chamar de América Profunda. Um tiro preciso em Republicanos e Democratas. Sim, Democratas! Não se espante, não. Basta ver a pesquisa Gallup realizada e divulgada poucos dias antes da consistente vitória republicana. Falei sobre isso no artigo “Pesquisa Gallup confirma: americanos NÃO querem mais controle de armas”. Vejamos uma das conclusões da pesquisa:

- Nos últimos 20 anos, o apoio a uma proibição de armas de assalto caiu entre todos os grupos partidários, incluindo os Democratas, onde apenas a metade apoia esse tipo de controle, em 1996 a porcentagem favorável era de 63%;

Em agosto, durante um comício em Wilmington, na Carolina do Norte, Trump falou sobre a escolha de um novo juiz para a Suprema Corte em substituição ao juiz conservador Antonin Scalia e o risco de que Hillary indicasse alguém favorável ao controle de armas. Disse ele: 

“Hillary quer abolir, essencialmente abolir, a Segunda Emenda. A propósito, e se ela conseguir escolher seus juízes, não tem nada que vocês possam fazer, pessoal. Embora o pessoal da Segunda Emenda talvez tenha, não sei. Mas vou dizer a vocês, esse será um dia horrível”.

A imprensa, em mais um movimento histérico, acusou Trump de fomentar a violência armada contra Hillary. Mais uma bobagem gigantesca. O que o presidente eleito estava dizendo naquele momento é que, em última instância, o pessoal da “Segunda Emenda”, era responsável por garantir a democracia, que o povo e só o povo é o verdadeiro “dono” do poder. Mais uma vez ele acertou o alvo em cheio e, sem usar suas armas, o “pessoal da Segunda Emenda” foi lá é fez alguma coisa. O resto é mimimi.

Saiba mais:

Senado rejeita restrições à posse de armas nos EUA: torcida não é análise, nem jornalismo.

http://www.cadaminuto.com.br/noticia/288754/2016/06/21/senado-rejeita-restricoes-a-posse-de-armas-nos-eua-torcida-nao-e-analise-nem-jornalismo

Pesquisa Gallup confirma: americanos NÃO querem mais controle de armas

http://www.cadaminuto.com.br/noticia/294547/2016/10/27/pesquisa-gallup-confirma-americanos-nao-querem-mais-controle-de-armas