28b8a4fa 006e 49fa 9a87 249a2f5e00b1 O salão do drama retrata as sentimentalidades que acompanham o ser humano ao longo da vida

“Vamos, não chores... A infância está perdida”, escreveu Carlos Drummond de Andrade em Consolo na praia, poema publicado em 1945.

Hilda Moura discorda.

Contrapondo-se ao verso do poeta modernista, a artista alagoana concebeu uma exposição com pinturas e instalações que propõem e compõem um diálogo entre a criança que fomos e o adulto que nos tornamos, sugerindo que a nossa fase pueril é a chave de quem seremos na maturidade. Ou seja, ela nunca se perde.

Disponível para visitação na Pinacoteca Universitária, localizada no 1º andar do Espaço Cultural Universitário, que fica na Praça Visconde de Sinimbu, no Centro, A lágrima das coisas está distribuída em dois salões.

No primeiro, os estágios da vida são encenados progressivamente. O nascimento, simbolicamente representado em uma sala isolada, abre a exposição. A partir daí as telas assumem a função de construir o ciclo da existência. Já no segundo, a montagem se torna mais coisificada, utilizando-se de elementos como vestimentas para externar as sentimentalidades que estruturam o ser. Não à toa chama-se salão do drama.

Cercada de referências a outras obras, a exposição teve como inspiração o poema Sestina, da poetisa americana Elizabeth Bishop. O texto é marcado justamente pela relação entre duas gerações distintas - avó e neta.

Embalado pelos acordes da música clássica, o visitante passeia, entre uma tela e outra, pelas muitas expressões da figura feminina que sustenta a exposição. A moça é retratada com cabelos ruivos em uma clara revisita ao arquétipo da Ofélia de Shakespeare.

Hilda se utiliza sem moderação da simbologia dos pássaros, mãos e vestidos, assim como dos tons em azul e vermelho, para fomentar a reflexão acerca da liberdade, dos conflitos internos e até mesmo das questões do feminismo.

A delicadeza do trabalho é um convite plástico, belo e irrecusável à autorreflexão.


Serviço:

A exposição A lágrima das coisas está aberta à visitação até o dia 18/11.
A Pinacoteca Universitária fica no 1º andar do Espaço Cultural Universitário Salomão de Barros Lima, localizado na Praça Visconde de Sinimbu, 206, no Centro de Maceió.
O espaço abre de segunda a sexta, das 8h30 às 18h.
Entrada franca.
Mais informações: (82) 3214–1545.