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Um software que disponibiliza um painel dinâmico com posicionamento de ambulâncias, atrelado a um banco de dados ofertados pelo SAMU: foi com esta proposta que pesquisadores do curso de Bacharelado em Sistemas da Informação do Ifal Maceió, associando dados matemáticos, georreferenciamentos (localizações) e tecnologia, desenvolveram o Smart SAMU, sistema já sendo operado de forma experimental e que pode “revolucionar” a qualidade do atendimento das ambulâncias em Alagoas.

Desenvolvido pelo professor Marcílio Ferreira, o software Smart SAMU surgiu de um projeto de pesquisa iniciado em 2013 e aprovado pelo edital Fapeal PPSUS, com o apoio do CNPQ e da Secretaria de Estado da Saúde - SESAU. O edital incentiva ações institucionais que fomentam pesquisas na área de saúde. O projeto foi apresentado neste ano no Seminário de Avaliação Final dos projetos e pesquisas para o SUS e, com os resultados obtidos, já é uma tecnologia disponível que, futuramente, pode ser implementada para uso do SAMU.

De acordo com o professor, o Smart SAMU é um software que disponibiliza um painel dinâmico na web, o chamado “dashboard” (painel de indicadores), alimentado por um banco de dados fornecidos pelo SAMU Alagoas com a média dos atendimentos solicitados pelo 192 e realizados entre os anos de 2007 a 2015. Neste painel dinâmico também aparecem os dados da localização geográfica de ambulâncias que, na fase experimental da pesquisa, foram rastreadas em todo o seu percurso, desde a saída da central de atendimentos até a chegada no local das ocorrências.

Para desenvolver a pesquisa, foram utilizadas quatro ambulâncias do SAMU, equipadas com smartphones embutidos nos veículos, todos com sistema Android e aplicações de GPS que enviavam a um computador-servidor instalado no Ifal sinais contendo as coordenadas de georreferenciamento dos veículos, onde eles estivessem. A partir dos dados enviados, foi possível acompanhar, de forma fidedigna, o trajeto de cada ambulância e o tempo gasto para atender as ocorrências, considerando fatores externos como trânsito, alterações climáticas e variações de percurso. Com o monitoramento, é possível visualizar no dashboard, em tempo real, o código de identificação de cada ambulância, a data, hora e tempo gasto para o atendimento, velocidade e localização em mapas.

O painel de indicadores, portanto, utiliza-se de dados reais dos atendimentos, em comparação aos armazenados na base e relativos a atendimentos anteriores (entre 2007 e 2015 foram contabilizados cerca de 800 mil atendimentos realizados pelo Samu em Alagoas), permitindo a criação de parâmetros comparativos que podem qualificar os atendimentos. O sistema transforma textos em gráficos que podem ser visualizados não só pelos pesquisadores que acessam o servidor de dados, mas por qualquer cidadão que tenha acesso a internet. “O dashboard nos permite visualizar gráficos com estatísticas dos atendimento históricos e atuais”, destaca o professor Marcílio. “Estes dados permitem aos gestores do SAMU avaliar uma nova dimensão de monitorar, visualizar e possivelmente qualificar os atendimentos, a partir dos relatórios gerenciais sobre as ocorrências registradas”, explica o professor.

Como os gráficos e relatórios gerados demonstram as possíveis causas de atraso ou imprevistos durante os percursos, o Smart SAMU pode melhorar a qualidade dos atendimentos, pois oferece informações confiáveis, precisas e coletadas em tempo real.

PARÂMETROS

O banco de dados armazenados no sistema do SMART Samu, e que alimenta o dashboard exibido pelo software, serve como um parâmetro para os dados atuais gerados em tempo real pelo rastreamento.

De acordo com o coordenador da pesquisa Marcílio Ferreira, o software surgiu a partir da necessidade de informações precisas, que implicam na viabilidade dos atendimentos. “Os dados coletados entre 2007 e 2015 nos permitem concluir que as informações enviadas às bases de dados do SAMU não são consistentes. Os pontos de atendimento são muito imprecisos, muitas vezes só há um nome de rua, bairro ou um ponto de referência, informados de forma muito superficial. É um ambiente crítico e com baixa qualidade de informações, o que gera consequências no atendimento prestado pelo SAMU, muitas vezes afetado pelo contexto da emergência”, explica o professor, ressaltando que, sem um sistema de georreferenciamento preciso, as posições informadas geralmente são “aproximações”.

DESDOBRAMENTOS

Além do professor Marcílio Ferreira, a pesquisa envolve seis estudantes do curso de Bacharelado de Sistemas da Informação e já gerou três Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC´S), dois projetos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação - PIBITI, um projeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), dois projetos de extensão e dois artigos científicos.

VIABILIDADE

A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores do Ifal ainda está em fase experimental, mas já tem viabilidade para ser colocada em prática. No entanto, ainda não há previsão de ser implantado pelo SAMU, pois é preciso que a Secretaria de Estado da Saúde – SESAU avalie a disponibilidade de recursos e as estratégias para tornar real o uso desta tecnologia. “Foi feita a inovação. Agora só resta saber qual a estratégia para ser implementada pelo SAMU, já que são necessários outros aspectos como compra de rastreadores, plano de dados, etc.”, explica o professor Marcílio, destacando que a insuficiência de recursos do Estado até mesmo para a manutenção de ambulâncias pode ser um entrave para a real implantação da pesquisa.

De acordo com o diretor do SAMU, Lucas Casado, o SAMU encaminhou à SESAU uma solicitação para sistema de rastreamento de ambulâncias, mas para aderir ao Smart SAMU é necessária uma avaliação mais técnica que considere adaptações, já que da forma como foi proposto pelos pesquisadores, não poderá “entrar em prática”. “Existe a possibilidade de implantação do sistema, e estamos batalhando, mas atualmente entendemos que não é viável usar os smartphones como aparelhos de rastreamento, devidos aos custos. Para ser utilizada, talvez fosse mais viável adaptar estar tecnologia ao rastreamento tradicional, por satélite”, avalia o gestor, considerando a indisponibilidade de recursos públicos que seriam necessários para comprar aparelhos smartphones, equipar as ambulâncias e instalar linhas telefônicas/internet nos aparelhos.

O pesquisador Allan Denis Muniz, aluno do 7º período do bacharelado em Sistemas de Informação, reconhece as dificuldades que tornam o Smart SAMU uma realidade no sistema de ambulâncias em Alagoas. “A ciência às vezes não tem aplicação imediata, mas com o tempo ela 'se compensa', 'se paga' totalmente”, avalia o estudante, ressaltando a importância de investir em tecnologia.