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O senado americano rejeitou nesta última segunda-feira, dia 20, quatro propostas que criavam novas restrições à compra de armas nos EUA. Ao contrário do que tentou insinuar a revista Veja, os projetos não eram apenas e tão somente do Partido Democrata, o mesmo partido de Obama. Dois deles eram de senadores republicanos e acabaram igualmente rejeitados com votos contrários de ambos os partidos. Mesmo a proposta que impedia que suspeitos de integrarem ou interagirem com organismos terroristas, entre eles o Estado Islâmico, comprassem armas foi rejeitada. Em análise superficial, até parecia fazer algum sentido a proibição, mas muitos senadores perceberam que impedir alguém de exercer um direito constitucional com base apenas em suspeitas ou investigações preliminares, poderia abrir um pressuposto perigosíssimo que colocaria em risco até mesmo um dos direitos mais sagrados constantes na Primeira Emenda da Constituição americana: o da liberdade de expressão.  Claro, a única coisa que a maior parte da imprensa conseguiu repetir foi: lobby da NRA, lobby dos fabricantes, lobby da NRA, lobby dos fabricantes... Grande análise...

Antes mesmo dos derradeiros disparos ocorrerem contra o terrorista muçulmano dentro da boate Pulse, palco de um dos mais covardes ataques terroristas em solo americano, muitos jornalistas brasileiros e analistas convidados, em especial na Globo News, que meu amigo Alexandre Borges chama carinhosamente de GoverNews, já afirmavam que agora não havia como o Congresso americano não aprovar novas e severas restrições à posse e ao porte de armas naquele país. Como viram acima, estavam, mais uma vez, errados. Assim erraram diversas outras vezes como, por exemplo, após o tiroteio na escola primária de Sandy Hook onde afirmavam categoricamente que haveria o endurecimento das ditas leis restritivas. Por sorte, tive a oportunidade de, em rede nacional, fazer uma análise completamente diferente durante uma entrevista, ao vivo, para rádio CBN e afirmar que não seriam aprovadas novas restrições. Modéstia às favas, acertei.

Em outro artigo, publicado no Jornal Gazeta do Povo, expliquei do porquê de sucessivas rejeições e replico aqui de forma sucinta:“[A partir de] 2013, republicanos começaram a aceitar alguns tipos de restrições (como a checagem de antecedentes) e os democratas passaram a defender o direito ao acesso e ao porte de armas. Ambos os grupos sabem muito bem que as restrições propostas por Obama vão muito além do aceitável e cobraram isso de seus candidatos.”

A verdade é que os analistas, jornalistas e toda sorte de palpiteiros convidados não fazem qualquer análise conjuntural ou jornalística para emitir suas opiniões. O que eles fazem é torcer! Torcer para que sua visão de mundo, sua ideologia e, não raro, aquele antiamericanismo bocó e démodé, vençam os fatos e a realidade de que nenhuma lei restritiva, nem mesmo mil leis restritivas, seriam capazes de impedir que o covarde Omar Mateen abrisse fogo contra pessoas desarmadas. Em suma, na cabeça desse pessoal “do bem”, após um ataque terrorista deve-se desarmar as possíveis vítimas e não dar-lhes possibilidade de reagirem. Toda sorte de malucos, agradecem e torcem juntos.

Entrevista para rádio CBN em 2013

 http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-noite-total/2013/01/15/FACILIDADE-EM-COMPRAR-ARMAS-NOS-EUA-NAO-TEM-RELACAO-DIRETA-COM-VIOLENCIA.htm?from=Movimento+Viva+Brasil

Artigo “Como os democratas derrotaram o desarmamentismo de Obama”

http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/como-os-democratas-derrotaram-o-desarmamentismo-de-obama-3dpsmcs6fvzn6uap460c7a1wn

Revista Veja: Senado dos EUA rejeita medida de controle da venda de armas

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/senado-dos-eua-rejeita-medida-de-controle-da-venda-de-armas