45f549ed cfb0 4abf 9564 75f43babb283

O Departamento de Segurança Pública do Texas informou, dias atrás, que 1.017.618 texanos agora dispõem de permissão para andar armados. Flórida e Pensilvânia, com 1.743.954 e 1.064.360, são os únicos estados que superam o Texas em números totais. Destaque para o fato de que esses números são apenas dos portes emitidos e que as armas que os texanos possuem em suas casas supera a marca de muitas milhões de unidades. E a criminalidade? Cada vez mais baixa!

Oras, se a velha lengalenga que mais armas significam mais crimes fosse verdadeira, o Texas e outros estados americanos já teriam tido suas populações dizimadas. Não acontece, não é assim. Hoje o Texas tem 4,4 homicídios por 100 mil habitantes, a menor taxa desde 1960. Em 1996, antes da liberação do porte, a taxa era de 7,7. Até 2012 a redução dos crimes violentos em geral foi de 49%. Os estupros tiveram a maior redução de todas, com uma queda de 59%. Mais armas, menos crimes.

Como disse acima, o crime de estupro que teve a maior redução comparado todos os outros e a explicação pode estar no fato de que deste mais de um milhão dos requerentes ao porte, 26% são mulheres, perfazendo um total de quase 270 mil mães, estudantes, donas de casa, empresárias e garçonetes que agora andam armadas pelas ruas do estado da estrela solitária. Vida difícil para os tarados e abusadores...

E por qual motivo leis que permitem o porte de armas tem efeito significantemente maior em favor das mulheres? A resposta foi dada pelo John Lott, professor de criminalística da universidade de Chicago e autor do mais amplo e profundo estudo sobre o efeito da liberação das armas na sociedade. Tal estudo se transformou no livro “Mais Armas, Menos Crimes – entendendo o crime e as leis de controle de armas de fogo” traduzido e publicado no Brasil pela Makron Books em 1999. Afirma Lott: “Os resultados precedentes mostram que os estupradores são, em particular, desmotivados por armas de fogo. Conforme mencionado anteriormente, os dados da National Crime Victimization Survey mostram que, ao fornecermos uma arma de fogo a uma mulher, isso possui um efeito muito maior em sua capacidade de defender-se contra um crime que fornecer uma arma a um homem”.

Tal conclusão é reforçada por um dado incontestável  levantado pelo estudo “Law Enforcement Assistance Administration, Rape Victimization in 26 American Cities”, do Departamento de Justiça norte-americano, onde se demostra que apenas 3% dos estupros se concretizam quando a mulher está armada e reage. Arthur Kellerman, um pesquisador cujo trabalho é frequentemente citado pelos grupos de controle de armas, disse: “Se você tem de resistir, suas chances de ser ferido são menores se você tiver uma arma. Se fosse minha mulher, se eu quero que ela tenha um 38 em sua mão? Sim!”.

Ouso aqui complementar o Professor Lott com a triste realidade brasileira. Uma vez que sabemos que a maioria dos estupros contra mulheres é cometido sem o uso de armas de fogo, muitas vezes, no máximo, com o uso de armas brancas (facas, canivetes, tesouras, etc), gerar no predador sexual a dúvida se sua vítima está armada ou não já seria um gigantesco ganho.  Hoje, o Brasil com seus mais de 50 mil estupros registrados por ano – e também sabemos que há uma enorme subnotificação desse tipo de crime – mostra exatamente qual o efeito devastador de se dar ao bandido a certeza de impossibilidade de reação armada.