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Durante décadas tivemos que ouvir a balela que o cidadão comum, que compra uma arma para sua defesa, era o responsável por abastecer o arsenal dos criminosos ao ter sua arma roubada ou furtada. Como eu sempre afirmo, mesmo que isso fosse verdade – e como veremos não é! – tal problemática nunca poderia ser usada para restringir a liberdade de autodefesa e, ao afirmar isso, governo, secretários de segurança pública, autoridades policiais, estariam assumindo sua incapacidade em combater a criminalidade e jogando, como sempre, a responsabilidade nas constas das vítimas e, ao final da narrativa, justificando os criminosos.

Pois bem, eis que me deparo com a seguinte matéria da EBC de autoria da jornalista Nana Pôssa publicada no último dia 26 e que não repercutiu em lugar nenhum:

“Oitenta e seis por cento das armas de fogo apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro no ano passado não foram identificadas. O dado foi apresentado nesta terça-feira (26) pela Secretaria Estadual de Segurança do Rio a deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito das Armas na Assembleia Legislativa do estado.

 De acordo com o secretário de Segurança Pública do estado, José Mariano Beltrame, a polícia apreendeu quase 9 mil armas em 2015. Metade tinha número de série, porém cerca 1.200 eram registradas no Sistema Nacional de Armas, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal.”

Cai por terra mais uma mentira desarmamentista! É necessário ainda destacar que das tais armas “com registro” a maior parte foi furtada, roubada ou desviada de instituições policiais, fóruns (armas apreendidas), empresas de segurança e até mesmo das Forças Armadas.

Do grosso da coisa toda, o contrabando, por nossas frágeis fronteiras e portos, continua sendo o grande abastecedor da criminalidade violenta, colocando nas mãos de criminosos armamento que muitas vezes nem mesmo a polícia possui.  Vejam o caso do fuzil em calibre .50 BMG que citei no artigo “Legislação sobre armas e munições no Brasil: um conto de fadas cruel” publicado aqui mesmo nessa coluna.

Enquanto as políticas de segurança continuarem focando no objeto e não em seus criminosos usuários não sairemos do lugar, a polícia continuará enxugando gelo apreendendo armas e vendo criminosos saindo rapidamente da prisão para então comprar armamento melhor, mais poderoso e mais moderno. No final das contas a segurança pública no Brasil é um cachorro correndo atrás do rabo sem nunca alcança-lo e a prova disso é mais essa CPI, que como outras tantas, não trará nenhum benefício real a não ser, claro, aos criminosos, os únicos grandes beneficiários dessa Ideologização da (in) Segurança Pública Brasileira