Nos meus 55 anos de vida, com uma visão mais apurada para a política desde os meus 16, lembro-me da tensão do Pacote de Abril, em 1977, com o fechamento do Congresso Nacional, pelo General Geisel e as eleições com a figura dos senadores biônicos. Lembro-me de Geisel falando em abertura e o General Figueiredo levando adiante o desenrolar do processo democrático, como também as greves do ABC Paulista, a campanha das Diretas Já. Vibrei com o surgimento da Frente Liberal, torci para que Aureliano Chaves fosse presidente da República, sofri com o calvário de Tancredo Neves e tive medo que os militares não permitissem a posse de José Sarney, não por gostar de Sarney, este nunca me enganou, mas pela perspectiva do retrocesso político.

 

Acreditei e fui enganado pelo Plano Cruzado, me envolvi na eleição de Afif Domingues, acreditando que poderíamos ter um presidente que “juntos chegaríamos lá”. Vi o nome da minha Alagoas ser enlameado do Oiapoque ao Chuí, graças ao processo de corrupção supostamente iniciado com dinheiro de campanha presidencial. E nós, homens de bem, tendo que ouvir o Brasil falar da tal “República das Alagoas”. Tive meu dinheiro “roubado” de minha conta, por conta de mais um plano econômico fajuto.

 

Defendi, e fui para as ruas comemorar, o impeachment, pensando que estávamos vivendo um momento único na história e que isso não iria mais se repetir. O povo verdadeiramente unido é forte e poderoso tomando as ruas e vibrando em defesa da democracia.

 

Veio a posse de Itamar Franco e o país começou a respirar aliviado, a grave crise econômica e política, já não pesava tanto e o ar respirado era suportavelmente melhor do que o anterior. FHC propunha um plano econômico que parecia plausível e que deu certo. Elegeu-se e o Brasil continuou vivendo um clima de esperança, com a moeda se fortalecendo e com alguns avanços sociais.

 

Após oito anos de FHC, o brasileiro resolveu optar pelo metalúrgico, que já havia perdido três eleições presidenciais seguidas, que liderara aquelas greves no ABC paulista e que tinha um partido combatente, denunciador de tudo, inclusive, avesso à corrupção, defensor do serviço público de qualidade etc. e tal.

 

Apesar de não ter votado nesse cidadão, confesso que gostei. Passei a noite e a madrugada diante da televisão assistindo os programas montados pela Globo e comecei a pensar que o povo tinha acertado. Já era tempo de se voltar os olhos para os mais carentes, haja vista que a miséria continuava a imperar, apesar dos avanços econômicos do país.

 

Entretanto, tudo em vão, pois todos conhecem o que aconteceu: “Nunca antes da história deste país” se roubou tanto! Organização criminosa é “pinto” para definir a forma como operam esquemas dentro desse bando de malfeitores, que acabaram com a estabilidade econômica, que estão tirando o pão da boca daqueles que eles, lá no início fizeram comer, mas não fizeram crescer. Não se tem o que comer, aprender, estudar, mas eles se especializaram em roubar. Os principais líderes se não estão presos, respondem aos mais variados processos.

 

Esse artigo, na verdade, é uma convocação: Vamos às ruas, no próximo domingo, dia 13, temos que resgatar o Brasil para os Brasileiros! Não se omita, precisamos de um Brasil melhor para todos!

 

Conto com você!