Aposta do governo federal para ampliar o acesso à formação superior, os cursos tecnológicos tiveram desempenho fraco na edição 2008 do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Mais de 48% das carreiras avaliadas foram consideradas insatisfatórias no indicador que o Ministério da Educação (MEC) usa para definir se a instituição será supervisionada.

No total, participaram do exame 660 cursos, mas 255 ficaram sem conceito por causa do número insuficiente de alunos na prova -estes não foram incluídos no cálculo. Portanto, dos 405 com conceito, 195 obtiveram notas 1 e 2 (de um total de 5). Os cursos com resultados abaixo de 3 podem ser alvo de processos administrativos e punições, como corte de vagas e até a suspensão do vestibular.

Esse indicador, chamado de Conceito Preliminar de Curso (CPC), reúne a nota do Enade, o IDD (índice que mostra o quanto a instituição agrega ao aluno) e uma análise sobre a titulação dos professores e a infraestrutura, entre outros itens.

 

Em relação aos cursos considerados “top”, somente seis alcançaram nota máxima nesse conceito -quatro deles são oferecidos por instituições públicas. Essa tendência se confirma em relação aos demais cursos da rede: dos 104 cursos públicos, 88 (84,3%) obtiveram notas acima de 3.

 

Por outro lado, os cursos em instituições privadas (que são maioria, com 301 em números absolutos) têm problemas em quase 60% (179) das carreiras oferecidas. Os dados foram divulgados pelo ministério na quinta-feira (3).

O Enade é aplicado a cada três anos para o mesmo grupo de cursos. Os cursos tecnológicos foram avaliados pela primeira vez em 2007. Em 2008, participaram da prova calouros e veteranos de outros dez cursos: construção de edifícios, alimentos, automação industrial, gestão da produção industrial, manutenção industrial, processos químicos, fabricação mecânica, análise e desenvolvimento de sistemas, redes de computadores e saneamento ambiental.

 

Foi o último ano em que os alunos foram convocados por amostragem. A partir deste ano, a prova será obrigatória para todos os estudantes dos cursos selecionados.

 

Também foram avaliados 20 cursos de graduação: arquitetura e urbanismo, biologia, ciências sociais, computação, engenharia (dividida em oito grupos), filosofia, física, geografia, história, letras, matemática, pedagogia e química.

 

Os melhores e os piores

O Ministério da Educação utiliza três critérios para avaliar os cursos: nota na prova do Enade, o IDD e o Conceito Preliminar de Curso. Também é disponibilizada a nota por pontos corridos obtida em cada curso, o chamado CPC Contínuo, que é o que permite comparar mais detalhadamente o desempenho de cada curso.