Os depósitos superaram as retiradas em caderneta de poupança em R$ 4 bilhões no mês de julho, informou nesta quarta-feira (6) o Banco Central (BC). Apesar de ser a maior captação líquida deste ano, também foi o menor ingresso líquido de recursos para meses de julho desde 2008, quando R$ 2,25 bilhões entraram na modalidade de investimentos.

Já no acumulado dos sete primeiros meses deste ano, a captação da poupança (depósitos menos retiradas) somou R$ 13,64 bilhões, ainda segundo informações do BC. Esta foi a menor entrada de recursos para este período do ano desde 2011, quando R$ 3,09 bilhões entraram na poupança. Na comparação com janeiro a julho de 2013, quando houve o ingresso de R$ 37,6 bilhões na modalidade, a queda foi de 63,7%.

Depósitos, retiradas e saldo da poupança

Em julho deste ano, ainda segundo o BC, os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 143,99 bilhões, enquanto as retiradas ficaram em R$ 139,97 bilhões. Já o volume dos rendimentos creditados nas contas dos investidores alcançou R$ 3,35 bilhões no mês passado.

Com isso, o volume total de recursos aplicados na caderneta subiu em julho deste ano. No fechamento de 2013, o estoque de recursos na poupança totalizava R$ 597,94 bilhões e, em junho, atingiu a marca de R$ 626,97 bilhões, avançando para R$ 634,35 bilhões no fechamento do mês passado.

Cenário econômico e baixa atratividade

Segundo economistas, o cenário econômico, com alta da inflação e do nível de endividamento das famílias, contribui para a queda no volume de entrada de recursos na caderneta de poupança neste ano. Além disso, o processo de aumento dos juros básicos da economia (a Selic), implementado pelo Banco Central entre abril do ano passado e maio deste ano diminui a rentabilidade da poupança frente a outras modalidades de investimento.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), com a estabilidade da taxa básica de juros da economia em 11% ao ano desde o final de maio, as aplicações em renda fixa como fundos de investimento mantêm mais atratividade e "ganham da poupança na maioria das situações".

Isso ocorre porque o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic. Já o rendimento das cadernetas, quando a taxa de juros está acima de 8,5% (o que acontece desde agosto), é fixo em 6,17% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial, que é calculada pelo BC). Segundo a Anefac, as cadernetas de poupança vão continuar mais interessantes frente aos fundos de renda fixa quando a taxa de administração cobrada por eles for superior a 2,5% ao ano.

Segundo a consultoria Economatica, quem colocou suas economias na caderneta de poupança perdeu dinheiro no primeiro semestre deste ano. Isso porque a rentabilidade nominal (o ganho da aplicação) da poupança foi menor que a inflação. De acordo com o levantamento, a caderneta rendeu 3,47% ao poupador nos primeiros seis meses do ano, enquanto a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi maior, de 3,75%.

Fundo de reserva

Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda é uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa opção, por exemplo, para pequenos poupadores (volume baixo de recursos), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.