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1. Por que temos os piores indicadores sociais da Federação?

Esse resultado expressa o quadro de subdesenvolvimento da economia alagoana. Situação essa caracterizada pela baixa capacidade de produtividade de nossa força de trabalho, frágil situação da oferta de bens públicos nas esferas estadual e municipal e, por fim, forte heterogeneidade social, ilustrada pela profunda desigualdade de riqueza e renda no seio da sociedade no estado. Portanto, se esses elementos persistem no estado, mesmo com o grande aporte de recursos e atendimento dos Programas Federais na última década, tem-se uma visão equivocada sobre o tema desenvolvimento plasmada na política de Estado nos últimos governos.

2. A Educação em Alagoas é um dos problemas mais crônicas e como ele rebate no desenvolvimento do Estado?

Nesse caso não estamos isolados de outras partes do país em que os indicadores de educação também são lamentáveis. Mas por que em Alagoas eles conseguem ser piores que nos demais estados? A educação é realmente um dos eixos do desenvolvimento e deve ser tratada com prioridade em uma política de desenvolvimento, não como um acessório necessário para se formar pessoas aptas à qualificação para o mercado de trabalho. Em Alagoas, principalmente, falimos nas esferas municipal e estadual na política educacional, pois são essas duas esferas responsáveis por mais de dois terços da oferta educacional em seus principais níveis. É claro que o governo federal tem sua parcela de responsabilidade no problema, ao tempo em que nos últimos anos centralizou muitos os recursos e transferiu muitas e importantes competências nas áreas sociais, como saúde e educação. Mesmo assim, em Alagoas existe um descaso muito grande, e por muito tempo nessa área, refletindo nos indicadores sociais e econômicos do estado.

3. De que maneira o Bolsa Família e os demais Programas Federais têm impactado em Alagoas?

Esse ano de 2014, Alagoas receberá, aproximadamente, 1 bilhão de reais através do Bolsa Família. Esse volume foi crescente no estado, onde mais de 2 terços da população vivia em situação de pobreza e extrema miséria, isso faz um efeito seguramente extraordinário na melhoria da renda da maioria da população. Outro elemento importante, quase 80% da população recebe até 3 salários mínimos, o que significa que a recomposição dessa faixa salarial nos últimos anos tem impacto sobremaneira no ganho de renda. Muito mais do que em outras realidades econômicas onde um percentual maior da população está acima da faixa dos 3 salários mínimos. Também, Alagoas sentiu o peso da ampliação do mercado interno por essas e outras razões, aumentando a geração de empregos e renda nos setores de comércio, serviços e construção civil. Por fim, a criação da categoria de Microempreendedores Individuais teve um impacto muito positivo no estado, e hoje contamos com mais de 50 mil pessoas enquadradas nesse segmento.

4. O que significa o nível de violência em Alagoas e por que chegamos a esse ponto?

A violência no estado é uma das contrafaces mais cruéis do subdesenvolvimento alagoano. A Segurança Pública é uma das prioridades do estado, mas sequer contamos com um Plano Estadual de Segurança Pública. Recebemos muitos com recursos financeiros do Programa Brasil Mais Seguro nos últimos anos, a Guarda Nacional, equipamentos etc. mas sem uma estratégia de Estado, um planejamento de longo prazo. O que temos é uma política de secretaria que é modificada ao sabor do rodízio de seus executivos. 

5. Que agenda prioritária deve ter a próxima gestão governamental?

Tudo em Alagoas é prioridade, pois o aprofundamento de seu subdesenvolvimento tem cobrado um elevado preço à maioria da sociedade. Entretanto, como tempos uma crise institucional (de funcionamento do Estado), uma crise social (níveis alarmantes de indicadores e desigualdade) e econômica (dinâmica rastejante e aquém da média regional), o próximo governador terá enormes desafios pela frente, nem todos solucionáveis em sua gestão. Entretanto, é preciso colocar a aeronave corretamente na cabeceira da pista, e com um plano de voo bem definido, elaborado e com participação a mais ampla possível da sociedade, iniciar o trabalho de decolagem. Nesse sentido, o desenvolvimento não pode ser uma categoria ou variável presa a visão economicista de crescimento econômico. Muito pelo contrário, teremos crescimento e desenvolvimento se:

1] o próximo governo aliar e alinhar prioridades nas áreas de educação, segurança pública e saúde;

2] incentivar os pequenas e médios empreendimentos e atraindo empresas de grande porte com base em critérios mais claros e com elevado impacto na geração de empregos, renda e receitas fiscais;

3] investir e melhorar a infraestrutura e logística do estado (fornecimento de energia, água, ampliação e recuperação das malhas rodoviárias e ferroviárias);

4] colaborar com os municípios e prefeituras em termos de políticas de mobilidade urbana e saneamento básico;

5] recuperar a capacidade de produção da agricultura familiar e expandir suas as áreas de ocupação desse segmento; e, por fim, uma especial atenção na continuidade do processo de erradicação da miséria no estado.

Essas prioridades, é importante apontar, só podem ser atendidas através de um esforço ainda maior entre os próximos governos estadual e federal, com a parceria dos municípios do estado.