Secom Maceió 14045827263881 Vinícius Palmeira, presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural

A reunião da família e o divertimento com amigos sem dúvida fez muita gente recordar o tempo de infância durante as comemorações do São João em Maceió. As ações culturais desenvolvidas pela Fundação Municipal de Cultura de Maceió (FMAC) vêm se destacando nos últimos eventos do município e encantando maceioenses e turistas. No entanto, a estrutura organizacional da FMAC passará por mudanças com a criação de uma Secretaria de Cultura para Maceió. Em entrevista ao CadaMinuto Press, o presidente da FMAC, Vinícius Palmeira, destacou o sucesso do São João e falou sobre as próximas ações para a área com a nova pasta, que segundo ele, será um grande ganho para a comunidade cultural do município. Para o segundo semestre de 2014, o lançamento do edital de artes visuais possibilitará a construção do primeiro longa metragem da capital alagoana, além de um fomento a produção de curta e documentários.

O São João está definitivamente consolidado no calendário festivo de Maceió?

O São João é uma tradição e ele por si só é uma data que está dentro das nossas grandes festas. Mas eu diria é que o São João está consolidado sob esse formato, que é um formato que tem dois princípios; um de abrangência, que não se limita apenas como uma festa de um arraial central, pois a festa vai para toda a cidade, e o outro é a valorização da cultura local, do elenco local. Eu digo que um formato novo com dois princípios importantes, como o elenco local das nossas pessoas, do nosso zabumbeiro, triangueiro, das pessoas que dançam quadrilhas, que fazem o São João em qualquer uma das suas instâncias. Um formato que nós estamos consolidando a partir dessa segunda edição.

Esses fatores contribuíram para o grande sucesso do evento?

Sem dúvida! Fazer o óbvio é fazer um São João em um arraial central para acesso da classe média e das elites da cidade. O nosso vai além porque ele vai aos bairros e vai aos bairros. Nós entendemos que são os bairros as fontes das tradições. O São João é uma data que requer a mobilização da sociedade. É preciso que as lideranças nos bairros mobilizem as forças que fazem o São João. Desde a infância que começa a aprender a lidar com a tradição, passando pelos jovens, que trabalham nas quadrilhas e movimentam os arraiás e aos adultos, as senhoras e as famílias. Então é um conjunto da sociedade que forma o São João. A partir daí é apenas um confeite de bolo, pois a raiz está na mobilização das pessoas. Se elas não querem o São João, se elas não conseguirem entender o que é ou não entram no clima, então não existe São João. O papel do governo é estimular que essas forças se deem. O papel de interferência é tentar estimular ação e fomentando com recurso, por isso, adotamos a política de editais que é uma ferramenta que possibilita a transferência de recurso diretamente ao fazedor da ação cultural.

A política de edital foi bem aceita pela comunidade cultural? 

Durante o processo de editais, quando lançamos os concursos e fomos para a seleção, houve muita contestação daqueles que ficaram de fora por algum motivo, mas  nós tivemos em contraponto uma solidariedade de instituições que fazem cultura aqui na cidade referendando a nossa posição de quebra de balcão. Existiu até um movimento que disse que a Prefeitura de Maceió nesse São João quebrou o balcão e quebramos mesmo, pois ninguém trabalhou nesse São João por indicação de A, de B ou de C. Entraram porque participaram de um processo legítimo que permite igualdade, condição de disputa para todo, que se volta para o artista, mas também contempla a comunidade. Então esse processo legítimo teve a solidariedade de várias de seguimentos importantes da sociedade, o que nos reforça a posição, pois entendemos que estamos no caminho certo, ainda que sejamos contestados por tantos, nós temos a solidariedade de instituições sérias, que entendem que esse caminho é que tem definitiva sem haver nenhum tipo de retrocesso. Isso se dá porque temos uma sociedade viciada em favoritismo, em clientelismo, apadrinhamento. Infelizmente, mesmo estando no século 21, as pessoas ainda fazem uso dessas forças que deveria fazer parte de um passado, que devemos nos distanciar.

Leia a matéria completa na edição desta semana do CadaMinuto Press já nas bancas.