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A despeito de toda a propaganda negativa e torcida contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, encerrada a fase classificatória os elogios internacionais pululam em jornais e sites de notícias. A opinião dos estrangeiros que nos visitaram, e ainda continuam por aqui, foi unânime quanto a organização do evento, a falta de grandes problemas nos aeroportos e falaram sobre dificuldades comuns em relação aos transportes e mobilidade urbana. Dentro dos estádios, surto de primeiro mundismo, tudo funcionando perfeitamente (ou quase), segundo comentários dos que ali estiveram.

Se na fase classificatória a Copa bateu recorde de gols por partida e a emoção extravasou, a fase do mata-a-mata prometer doses cavalares de adrenalina. Caminhamos, sem sombra de dúvidas, para a realização de um dos melhores torneios das últimas quatro décadas.

Evidente que sua realização não resolverá problemas estruturais que persistem em nos colocar na condição de uma economia subdesenvolvida. Mas tenho absoluta clareza que eles não seriam resolvidos, também, sem a realização de um grande evento dessa natureza. Pelo contrário, a Copa está nos provando que podemos muito mais. Que somos capazes de gerir a coisa pública com mais decência e eficiência; que a segurança pública tem condições de ser aprimorada tecnologicamente, seu aparato policial funcionar preventivamente e o sistema de inteligência rastrear e identificar grandes traficantes, corruptos e lavanderias de dinheiro; a saúde pode sair do caos que se encontra com destinação maior de recursos, fiscalização, mão de obra qualificada etc.

Sobre o tema da mobilidade urbana, certamente ele dominará a primeira metade desse século, pois não podemos mais imaginar uma civilização dividida entre o campo e as cidades. Essas já se tornaram o lócus de sobrevivência da maioria esmagadora da população brasileira e a prevalência do transporte individual tem seus dias contados nesse século, por razões que passam pela falta de espaço, a urgência na solução dos problemas ambientais e o encarecimento das fontes de energia.

Em todas as cidades-sedes dos jogos os setores de comércio e serviços comemoram a dinâmica econômica provocada pela presença dos turistas [estrangeiros e nacionais], comitivas de jogadores, jornalistas e profissionais ligados diretamente à organização do evento etc. Não tenho dúvidas que os resultados da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE para o mês de junho, demonstrarão esses resultados que foram vistos a olho nu por qualquer visitante à uma dessas cidades.

No Nordeste, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador estão ainda contabilizando o sucesso e resultados. O comércio nessas localidades foi turbinado. A ocupação dos hotéis alcançou taxa 45% superior às expectativas do setor. O comércio local, sobretudo os bares, restaurantes e similares comemoram o que provavelmente será o melhor mês do ano, com exceção da época de carnaval em Recife e Salvador. Até João Pessoa se beneficiou de sua posição geográfica, atraindo grupos de turistas estrangeiros que ficaram alojados, curtiram seu estreito litoral e os festejos juninos de Campina Grande.

Enquanto as principais capitais nordestinas exaltam a movimentação econômica trazida pelo campeonato mundial, em Maceió o reclame é geral por parte de alguns segmentos do comércio e serviços, sobretudo dos representantes da rede hoteleira.

Com relação ao comércio, evidencia-se que o consumo no Brasil vem se acomodando há um certo tempo e aquele boom vivido entre os anos 2007 e 2010 não se repetirá tão cedo. A demanda foi gradativamente desaquecida pelo aumento no custo do dinheiro e elevado nível de endividamento do consumidor. Nesse último caso, as dívidas frearam o consumo, mas não trouxeram ainda riscos para o consumidor, tampouco para a saúde do sistema financeiro. Portanto, tanto em Maceió como Arapiraca, os comerciantes ressentem da queda nas vendas e admitem que já vivemos uma crise no país. Não chegaria a tanto, pois com exceção da retração da economia mundial e suas consequências sobre nossa economia, a política de combate à inflação e a diminuição do ritmo de compras por parte dos consumidores, são aspectos conjunturais que podem ser revertidos no segundo semestre de 2014.

Por outro lado, a queda o nível de ocupação nos hotéis não somente em Maceió, mas nos demais lugares onde os atrativos turísticos do estado são muito fortes, contrariou as expectativas até mesmo dos responsáveis pelas pastas de turismo da capital e do estado. Meses atrás a “oficialidade” divulgava notas de grande otimismo com a realização da Copa no país e os jogos realizados no Nordeste; defendia que poderíamos aproveitar o grande fluxo de turistas em trânsito para visitarem nossas belas e paradisíacas praias. Deu zebra, para usar um termo em homenagem ao torneio. Alagoas ficou praticamente alijada da Copa. Esse distanciamento não foi maior porque, afinal de contas, promoveu-se, nos jogos do Brasil, aqui e acolá, alguma festa, reunião de amigos ou comemorações que pressionaram o comércio local por comidas, bebidas, enfeites, camisas etc. Seguramente, quando saírem os dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE para junho, observaremos que os efeitos da Copa não passaram por Alagoas e somente a sentimos pelas transmissões e quando vimos algumas poucas ruas e carros enfeitados.

Não poderíamos ser sede de alguns jogos?