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Os últimos dados divulgados pelo Ministério do Trabalho em Emprego [MTE], através do Cadastro Geral de [CAGED] revelam que nossas preocupações apontadas em artigos anteriores se confirmam.

Diferentemente da Relação Anual de Informações Sociais [RAIS], que informa o estoque de empregos formais anualmente, o CAGED mensura o fluxo de admissões e demissões. Os resultados para o mês de abril desse ano não foram, novamente, favoráveis para a economia alagoana. O saldo líquido na geração de empregos foi negativo em mais de 12 mil postos de trabalhos fechados.

Esse resultado deve-se, sobretudo, à diminuição significativa do quantum de trabalhadores na indústria de transformação. Somente esse ano, de janeiro a abril, foram destruídos 12,9 mil postos de trabalho. Em 2011, Alagoas contava com 106.881 trabalhadores formais na indústria em geral. Em 2013 esse estoque reduziu-se para 93.938. Os números recentes permitem apontar que a destruição de empregos nesse setor continua acelerada. Entre 2011 e abril de 2014, 41,3 mil postos de trabalhos foram fechados.

Essa dinâmica regressiva tem como principais fatores a sazonalidade do setor canavieiro, mas, principalmente, a crise estrutural por qual passa. Dessa vez, vários aspectos apontam para um definhamento irreversível desse setor, com perda considerável de sua importância na formação do PIB industrial do estado.

Os principais aspectos são: 1] fechamento de algumas firmas dentro do setor por razões relacionadas à incapacidade de gestão e elevados passivos trabalhistas, que impedem o acesso ao crédito; 2] a forte estiagem nas safras 2012/2013 e 2013/2014 que encolheu, significativamente, a área plantada e colhida; 3] a reestruturação tecnológica em curso, com emprego de equipamentos na colheita da cana-de-açúcar em regiões sem grandes inclinações ou declives; 4] elevação dos custos de produção, principalmente da mão de obra; e 5] arrefecimento do mercado internacional para o açúcar.

O tímido processo de expansão de alguns setores específicos da indústria de transformação em Alagoas, a exemplo da cadeia químico-plástico não compensará a destruição dos postos de trabalho no setor sucroenergético. As plantas produtivas são intensivas em tecnologia e empregam muito poucos trabalhadores. Somente a título de exemplo, a empresa Tigre ADS, fabricantes de tubos e conexões, tem em seu quadro funcional apenas 24 pessoas.

Dessa forma, analisando o quadro geral da indústria de transformação em Alagoas, podemos vislumbrar a continuidade do movimento de perda de sua participação no PIB alagoano, com sensível diminuição na geração de postos de trabalho. Ou seja, estamos em franco processo de desindustrialização e não o contrário.

Infelizmente, a expansão dos postos de trabalho formais em setores como serviços, comércio e serviços parece não ser suficiente para equacionar o problema. Por exemplo, na construção civil, o que observamos é uma inflexão na geração de empregos desde o ano passado. Assim, resta aos setores de comércio e serviços em Alagoas a responsabilidade de amenizar essa dificílima situação. Mesmo assim, para cada 1 posto de trabalho gerado nos setores de comércio e serviços, 1,13 foi destruído na indústria de transformação no ano de 2013. Essa relação tende a aumentar em 2014 pelos dados já disponíveis, demonstrando que as atividades terciárias estão esgotando as possibilidades de manter elevado o estoque de empregos formais no estado.

Enfim, se continuarmos nesse ritmo, Alagoas alcançará um estoque de empregos industriais próximo ao de estados como Sergipe e Paraíba. Com um diferencial, nesses estados o emprego vem crescendo nesse setor enquanto por aqui ele cai. Nesse cruzamento, estamos realmente involuindo.