O político brasileiro, em sua imensa maioria, morre de medo de protestos organizados por formadores de opinião. Os caras se tremem mesmo! Mas há aqueles que observam, conversam, pensam, avaliam e preparam uma jogada.

Esse cara é Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante da onda contínua de protestos, ele teve encontros com os movimentos sociais mais próximos ao PT. Em vez de pedir para acalmar a crise que pesa sobre os ombros do Governo federal e da presidente Dilma Rousseff, aconselhou as lideranças a “ir para a rua”. Quinze lideranças de movimentos jovens, trabalhadores e a até dos sem terra ficaram surpresos, com o queixo nos joelhos.

Lula avaliou que o que vem ocorrendo nas ruas é positivo por ser uma oportunidade para aprofundar as mudanças, enfrentar a direita e empurrar o governo petista mais pra esquerda.

Ou seja, se a grande imprensa e a oposição atacam e responsabilizam o governo do PT pela insatisfação das massas, aprofundar as mudanças pode implicar em discussão de temas difíceis de serem defendidos pelo PSDB, DEM, Globo, Folha e Estadão, entre outros.

Aliás, pela leitura feita dos editoriais da grande imprensa nesta quinta-feira (27), as manifestações de rua começam a incomodar pelo transtorno à população, custo para a economia e risco à democracia.

O Estadão, por exemplo, diz, em seu editorial, que “Na ânsia de reverenciar o povo, os poderes federais competem, às cotoveladas, para fazer da noite para o dia o que a rua subitamente se pôs a cobrar com veemência nos quatro cantos do País em mobilizações que surpreenderam cobradores e cobrados pela amplitude e difusão”.

Na folha, o editorial também critica a forma como os Poderes buscam, de forma frenética, dar resposta aos protestos, mas correm o risco de se perder em medidas inócuas ou populistas. Ainda na Folha há um artigo com críticas aos transtornos causados ao trânsito.

Já O Globo fala em riscos à democracia e desconfia que o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff só favorece o PT.

Mais parece que, se não atinge o governo do PT, há perda de interesse da grande mídia.

Até parece que Dilma ouviu Lula (alguém duvida?). Ela está pronta a ouvir a voz das ruas. E começa a reverter o problema, discutindo e dividindo a questão com os partidos da base aliada sobre o plebiscito para reforma política.

Algo que o PT sempre defendeu. Mas, na democracia brasileira, é preciso negociar com o Congresso Nacional escolhido por nós. E nem sempre o melhor para o eleitor-cidadão é o mesmo para o político profissional.

Então, vamos pras ruas pressionar. Empresários, partidos conservadores e políticos de direita já estão incomodados.

Aqui em Alagoas é preciso que as ruas mudem os rumos do governador Vilela na educação, saúde e segurança. E não deixar que o também tucano Rui Palmeira esqueça as promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2012.

Policiais civis, militares, estudantes, sem teto, sem terra, sem saúde, sem educação, sem segurança, sem assistência social, enfim, cidadãos, o momento é oportuno para mais e maiores reivindicações.

Lula já fez essa leitura. Dilma está seguindo a cartilha e a direita começa a espernear.