Familiares de cerca de 80 vítimas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, que deixou 199 mortos em julho de 2007, em São Paulo, pediram "justiça" e "cadeia" para os culpados pela tragédia. A investigação sobre as causas do acidente está na esfera federal e até o fim deste ano a Justiça deve se manifestar sobre os responsáveis pelo acidente.

O ato começou no saguão central do aeroporto de Congonhas. Os familiares estenderam banners com as fotos das vítimas no chão e cercaram a área com vasos de flores.

Depois disso, eles seguiram para o check-in da TAM, onde, por meio de um megafone, o presidente da Afavitam (Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ-3054), Dario Scott, citava os nomes de quem o grupo considera ser os culpados pelo acidente. Os familiares respondiam com "cadeia".

Depois disso, foi feita uma oração no saguão central e todos se dirigiram ao local do acidente, em uma caminhada de aproximadamente 300m. Na área, silêncio e nova oração.

Apuração

No sábado, membros da Afavitam pediram ao procurador da República, Rodrigo de Grandis, que mais nomes sejam acrescentados à lista de 10 denunciados pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPF-SP) sobre as responsabilidades pelo acidente. Como o inquérito corre em segredo de Justiça, por decisão da 1ª Vara Federal, os nomes em questão não foram divulgados.

No encontro, o procurador se reuniu com os familiares das vítimas para falar sobre o andamento das investigações da Polícia Federal sobre o caso. A reunião foi realizada a portas fechadas.

De acordo com Dario Scott, presidente da Afavitam, a conversa foi uma vitória.

"Estamos tentando essa quebra de sigilo desde o ano passado, mas pelo menos somos informados sobre o que está acontecendo. Para nós, existem mais responsabilidades. Eu não quero aqui dizer quem, mas eu acho que existe toda uma hierarquia, pessoas cumprindo o seu dever na companhia, e elas respeitam uma norma. Isso tudo tem de vir na esfera federal. Todos os nomes têm de ser apontados. É isso que falamos para ele (de Grandis) na reunião, e é isso que nós esperamos", disse.

O procurador disse que a denúncia deve acontecer ainda este ano, no segundo semestre. "A investigação da Polícia Civil apontou alguns nomes, mas o Ministério Público Federal não fica vinculado a esses nomes. Nós podemos entender que outros crimes foram praticados e outras pessoas foram responsáveis", disse.

Segundo ele, nomes podem ser retirados ou acrescentados da lista apresentada pelo MPF-SP. "Os nomes apontados pelo Ministério Público Estadual representam um indicativo concreto, na visão do promotor de Justiça da responsabilidade dessas pessoas. Não posso dizer que esses nomes serão ratificados ou não".

Entre os nomes apontados pelo MPF-SP estão Aguinaldo Molina e Esdras Ramos, funcionários da Infraero responsáveis pela avaliação e liberação da pista do Aeroporto de Congonhas no dia do acidente. Também estão na lista Denise Abreu, ex-diretora da Anac; Milton Zuanazzi, ex-diretor-presidente da Anac; o brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero; Luiz Kazumi, Marcos Santos e Jorge Velozo, superintendentes da Anac; Marco Castro, diretor da TAM; e Abdel Salam, ex-gerente da TAM.

Em comunicado, a TAM informou que foram fechados acordos de indenização com familiares de 172 vítimas do acidente.