Com a indicação de Eduardo Canuto (PV) para ser o líder do governo na Câmara Municipal de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) sentencia de vez a presença do PV na bancada governista. Sílvio Camelo (PV) já fazia parte da Mesa Diretora da Casa de Mário Guimarães com o aval e apoio do tucano chefe do Executivo. Assim, o PV se especializa em ser governo na capital alagoana.

Vale lembrar que o antigo líder do prefeito Cícero Almeida (PSD) era Sílvio Camelo, que agora está - junto com Eduardo Canuto - em um projeto que nasce antagônico ao antigo rumo que era dado à Prefeitura Municipal de Maceió. Mais uma reflexão: com a indicação de Canuto, é um nome do PV que vai defender - em primeira linha - o projeto político tucano ao qual se opôs (enquanto partido e não necessariamente o político Eduardo Canuto) nas eleições municipais. Basta olhar o recente passado e a ligação PV-PDT.

Eis a prova viva de que no pleito municipal, a junção dos partidos só obedece a uma única lógica: a matemática eleitoreira. Depois, quando a eleição se encerra é um outro momento: o das composições. Claro, vão falar em governabilidade. Afinal, a palavra fisiologismo diante da ausência de conteúdo programático das siglas no mundo pós-moderno da política soa mal para a opinião pública.

Esta é uma crítica aos partidos que são vazios, ocos e permitem acordos inesperados. Ora, o PSDB e o PP tinham nomes para a liderança, mas há a necessidade de “ampliar a bancada”, “costurar a sonhada governabilidade”, dentre outros chavões da política que legitimam a seguinte situação: o PV com os mais variados posicionamentos pelo mapa do Brasil. O problema - evidentemente - afeta outras legendas também. Não é o primeiro, nem o último caso.

Volto a repetir: a visão crítica é em relação ao todo. Quanto a Eduardo Canuto, tem agora uma função que precisa desempenhar com altivez, com responsabilidade e pensando que em primeiro lugar é um representante do povo. Que assim o seja; tem competência para isto.

Que a faça de forma serena, com juízo e senso-crítico para separar o que é bom para a população ou não em futuras votações. Afinal, o que menos se precisa num parlamento-mirim é uma bancada gigantesca ao ponto de passar cheque em branco, seja nesta administração ou em qualquer outra. Já foi assim no passado recente.

No mais, a oposição da Câmara Municipal de Maceió deve ser bem explicada em uma metáfora: um fusca será lugar bastante espaçoso para acomodar os opositores. Vale lembrar: um dos fundamentais papéis da Casa de Mário Guimarães é a fiscalização.

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